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O preço foi alto demais

Brasão Caraguá_madeira 01

 

Disse certa vez que Jornalista tem algo com o Mal de Alzheimer, pois ele tem uma relação profunda com o passado, com a história, com o que viveu e passou. O passado é importantíssimo, pois através dele constatamos o presente e aperfeiçoamos o futuro. É vivendo o presente que sabemos como foi o passado e podemos nos preparar para o futuro. Presente, Passado e Futuro, etapas importantes da nossa vida que devem sempre ser tratadas com prioridade.

Mas deixemos de lado a licença poética e o floreado que marca este texto e partir para o que importa, para os “finalmente”. Tenho 42 anos de permanência em Caraguatatuba e 52 de vida nesta cidade. Cheguei aqui em 23 de dezembro de 1973, depois de 4 horas de ônibus de São José para cá e outras 5 horas num Viação Sampaio saindo do Rio de Janeiro. Sou do tempo que avenida da praia tinha uma pista só, que o Adaly tinha uma mureta que era palco das paqueras de nativos, turistas e veranistas e das eleições municipais há cada 4 anos. Vivi no tempo do Seu Carola, Aldo Navarro, Vereador Avelar, Bourabeby, o Vicente açougueiro e o Lelis do Central Shopping, Amil e Jorge Burihan dentre outros.

Sou do tempo que poucos aqui paravam na temporada ou feriado prolongado e menos ainda o que tinham casa ou passavam férias. Esta cidade era bem guardada graças aos policiais Modesto, Bila e Crispim e o Delegado Sartorello. Com o tempo tudo mudou.

O tempo passou e muitas mudanças ocorreram na cidade. Uma malha viária melhor, mais ampla e sinalizada, uma melhor estrutura de Saúde e Educação, com Escolas Técnicas Estaduais e Federais e um Centro Universitário. Na polícia hoje temos a sede do Batalhão e várias Delegacias de Polícia Civil. A população aumentou vertiginosamente e o esporte pode ser praticado em vários bairros com uma boa estrutura. Aumentaram também em números e qualidade de atendimento Bares, Restaurantes, Bancos, Comércio e Prestadores de Serviço.

Calma, é bom frisar que não estou aqui para eternizar os trabalhos da Administração Municipal, mas sim para mostrar as diferenças da Caraguá do passado para a Caraguá de hoje, que foram muitas e algumas se tornaram até referência regional, mas a principal questão: Não pagamos muito caro por tudo isso???

Dizem que não podemos fazer um bolo sem quebrar alguns ovos ou realizar qualquer evento ou tarefa que seja sem causar uma anomalia, problema ou seqüela por menor que seja em algo ou alguém. Deixando as frases feitas de lado toda vez que uma ação é feita desencadeia uma reação e esta seqüência envolve custos maiores ou menores, dependendo do tamanho da ação, mas a minha dúvida persiste: Todo custo é válido??? Às vezes não pagamos muito caro por tudo isso???

Vejamos por exemplo Caraguatatuba. Nos últimos 20 anos não houve o nascimento ou surgimento de uma liderança política, por força dos nomes que dominaram a cidade neste período e podavam qualquer pessoa que se levantasse ou se fizesse aparecer. Atualmente grupos políticos se infiltraram no dia-a-dia da cidade, praticando uma cartelização impiedosa, deixando locais e nativos a míngua, passando necessidades e sem qualquer opção de vida. Nesse ponto eu pergunto: O preço do desenvolvimento não foi alto demais???

A exemplo da história no período medieval ou da história antiga, nos últimos 20 anos uma “Corte” nasceu e foi criada, participando somente ela de festas e eventos, sejam eles sociais, profissionais, acadêmicos, filantrópicos e obviamente, políticos. Essa corte e mais ninguém tem ingresso fixo e constante em detrimento de terceiros com as mesmas qualidades e ainda mais necessidades, que eram proibidos de participar. Este custo não está alto demais???

No período já descrito a Administração Municipal reuniu dezenas de processos nas mais variadas instâncias e tribunais nas esferas estadual e federal. Muitos destes processos nasceram pela falta de “boas intenções” do Poder Judiciário e pelo modo “privado” de tratar a coisa pública. Estes processos poderão reverter em milhões de indenização por parte do próprio Executivo, além do seu mandatário. Não ficará caro demais reparar todas estas questões jurídicas???. Em quase duas décadas morros são destruídos para cuidar de questões de engenharia e se tornam área turística; ao mesmo tempo prédios são desapropriados e num click sua destinação é alterada, uma praça toma o seu lugar, acompanhado de justificativas das mais insanas e ilusórias. O preço de tudo isso não está alto demais???

Prédios desapropriados e direcionados para convênios que sem uma razão aparente são desfeitos e terminam como moradia de “amigos” do poder. Ao longo de todos estes anos oprimiu poderes como o Legislativo pela força do poder, impedindo-o de exercer suas reais funções e engarrafou o Judiciário com uma avalanche de instrumentos jurídicos para prolongar processos e evitar suas sentenças finais. Isto não estaria custando caro demais???

Estes foram alguns exemplos de ações que transformaram a cidade no que ela é hoje. As mudanças são nítidas e as melhorias são visíveis se compararmos com a Caraguá da década de 70, mas ao mesmo tempo os questionamentos são inúmeros; As alterações não poderiam ser menores e feitas em menor tempo, resultando em seqüelas reduzidas ou seja, não estamos pagando caro demais por tudo isso, por um progresso acelerado e descontrolado que poderá levar o município ao caos urbano e a eterna deficiência política??? Em suma, o preço não está alto demais???

Sobre Pedro Monte-Mór

Pedro Monte-Mór tem 54 anos, é Jornalista Profissional, formado pela Universidade de Taubaté em 1986 e Pós-Graduado pela mesma Universidade em Assessoria de Imprensa, Gestão da Comunicação e Marketing em 2005. Carioca de nascença mora em Caraguatatuba há 44 anos e incorporou-se ao modo de vida paulista. O início da sua vida profissional se dá na década de 80, quando fez Free Lance para a Rádio Oceânica – AM 670 e Jornal Expressão Caiçara. No período universitário trabalhou de 1984 a 1986 na GAZETA DE TAUBATÉ, sob o comando do Jornalista Djalma Castro e como Correspondente em Taubaté do extinto JORNAL DO VALE, de São José dos Campos no ano de 1986. Trabalhou para o SEBRAE Litoral Norte – Regional São José dos Campos, Prefeitura Municipal de Caraguatatuba de 1989 a 1992, além de diversas outras entidades de classe, Como ACE (Jornal do Comércio) e AEAA-C (Jornal dos Engenheiros), sempre na direção Editorial. Prestou Assessoria de Imprensa para a Praiamar Transportes. Fundou os jornais O NOROESTE e NOROESTE NEWS em Caraguatatuba, respectivamente de 1997 a 1998 e de 1998 a 1999. Foi Correspondente do JORNAL IMPRENSA LIVRE, de São Sebastião, o único diário do Litoral Norte do Estado de São Paulo, de 1992 a 1996 e de 1999 a 2001. Trabalhou como Assessor de Comunicação da Câmara Municipal de Caraguatatuba de 2001 a 2012, exercendo também as funções de Relações Públicas, Cerimonialista e Mestre de Cerimônias. Exerceu função na Assessoria de Comunicação da Prefeitura de São Sebastião de Agosto de 2013 a Julho de 2014 e escreveu para o Jornal InfoImóveis de Dezembro de 2013 a Fevereiro de 2014. Ministrou aulas na UNIP em São José dos Campos (Marketing Político) e no Módulo – Comunicação (Fotografia e Teoria da Comunicação). Atualmente ministra aulas no IBRAP (Instituto Brasileiro de Administração Pública), nos cursos de Ouvidoria, Assessoria de Comunicação, Estruturação de Assessoria de Comunicação e Media Training.

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