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O sonho de Cretina

Peixe Palhaço

 

Em homenagem as comemorações pela Revolução Constitucionalista de 1932, o BLOG CONTRA & VERSO, através da coluna Blogueando, publica uma Fábula Política, uma história que poderia acontecer em qualquer lugar, com qualquer pessoa, a qualquer momento, retratando quando a arte imita a vida. Leia, aproveite e deleite-se.

Cretina era uma moça simplória, pobre e humilde, simpática, de pouca cultura mas muita esperteza. Cretina vivia uma vida quase miserável em Misericórdia dos Pinheiros, uma cidadezinha cercada pelas montanhas de um lado e o rio do outro, que está localizada entre Uruguaiana, no Rio Grande do Sul e Tabatinga, no estado do Amazonas.

A vida em Misericórdia dos Pinheiros se resumia a função de Lenhador e a pesca dos únicos peixes encontrados no rio CaradePau; Robalos, Traíras e Peixe Palhaço.

Pode parecer estranho, mas viver em Misericórdia dos Pinheiros é viver na estranheza e Cretina não fugia a regra: Governada pela mão de ferro do Senhor do Feudo, seu maior sonho era um dia governar o Feudo, mas suas limitações a impediam disso. Quando achou que casando com o Lenhador Jião teria seus sonhos realizados, percebeu que cometeu um grande erro, pois Jião tinha como sonho apenas afiar o seu machado e de vez em quando treinar a dança da chuva e aprender o ofício da pesca.

Aliás estranheza começa pelo nome de Cretina; uma mistura dos nomes de várias Tias e Tios: Creuza, Tibúrcio e Nair. Por ser humilde e não ter moedas de ouro o Senhor do Feudo não a enxergava e sequer pensava que um dia ela poderia sucedê-lo, mas como eu disse, Cretina era uma mulher muito esperta e algo ela iria tentar para conquistar o seu sonho.

Eram dias e dias, manhãs admirando as Montanhas e noites inteiras namorando o Rio CaradePau, vendo seus peixes saltando, alguns pescadores tentando pescar e o rio correndo intensamente. Cretina estava cansada do marasmo de sua vida e durante seus dias, não poupava tempo e esforços em imaginar como conseguiria ser a próxima Senhora do Feudo de Misericórdia dos Pinheiros. Foi então que o destino lhe acenou.

O Feudo tinha um grupo de doentes, execrados pela sociedade local. Eram pessoas que ninguém queria, ninguém gostava, mas que precisavam ser curados, recolocados na sociedade. Cretina viu ali a chance de sua vida. Imediatamente abandonou tudo e dedicou-se a cuidar dos doentes e expurgados pelo Feudo. Inteirou-se tanto, entregou-se de tal maneira e aprofundou-se em tamanha grandeza que chegou a se relacionar com alguns dos doentes que no auge da paixão quiseram liquidar o médico chefe como prova de amor.

Depois disso e da função mal exercida como membro do Conselho de Misericórdia dos Pinheiros por parte de seu marido, o Lenhador Jião, Cretina começou a ser vista e observada até pelo Impiedoso Senhor do Feudo, que passou a ouvir seus conselhos, opiniões e observações, o que resultou em sua ida, permanência e freqüência na corte do Feudo.

Vendo que agora tinha voz ativa, mas não tinha condições ou o estereótipo necessário para assumir o Feudo, passou a investir no seu Plano B, que consistia em introduzir o filho Idiota, nome dado em homenagem aos primos Idílio e Otávio como o senhor supremo das terras de Misericórdia dos Pinheiros. Sempre que podia e tinha chance opinava em favor de Idiota para introduzi-lo na Corte de Pinheiros, fazendo dele a realização de um sonho de criança, sonho que apenas uma garota esperta e pouco culta poderia realizar.

E o trabalho desenvolvido por Cretina, em favor de seu filho Idiota começou a dar resultado, ao mesmo tempo que se iniciou a sua derrocada. O rebento ganhou o direito de fazer parte do Conselho e a partir daí tudo mudou. Como vem de origem pobre, Idiota iniciou seus trabalhos a frente do Conselho cuidando da plantação de Margaridas, chegando a trazer jardineiros de outros Feudos para ensinar como deveriam cuidar das Margaridas em Misericórdia. De nada adiantou, pois as Margaridas continuaram a sofrer problemas e os jardineiros de outras paragens nunca mais vieram para cá.

Para se manter no Conselho iniciou uma campanha para adular sistematicamente o Senhor do Feudo e favorecer os membros restantes do Conselho, dando a eles o direito de favorecer amigos, fornecedores e prestadores de serviço nos cuidados diários, manutenção e equipamentos da sede do Conselho. No final de cada ano que permaneceu no Conselho, devolveu peixes pescados a mais para o Senhor do Feudo, como forma de alimentar os mais pobres, assim como ele. Ledo engano, pois os peixes foram para as crianças, diretores, doentes e até para a fábrica de ração de peixe, mas nunca diretamente aos mais pobres.

Idiota, assim como sua mãe, Cretina, vivia sob a aspiração de acender ao poder supremo em Misericórdia dos Pinheiros e para isso, começou a cometer deslizes imperdoáveis para com o Senhor do Feudo, que o via como traidor. Um exemplo disso foi quando o Senhor do Feudo tinha que prestar contas para o Magistrado Regional e Idiota, tentando ser esperto mas igualmente inculto como Cretina, tratou de conseguir os rascunhos do Magistrado, o que teria deixado o Senhor do Feudo irado. Outro deslize irreparável foi quando o Senhor do Feudo, num surto de stress decidiu que iria cuidar unicamente da Madeireira “Machado do Fio Cego” e da Frota de barcos de pesca “Não quero Palhaço ou Traíra, apenas Robalos” e Idiota com a esperteza que lhe é peculiar e sem qualquer noção de inteligência, convenceu os Tenores da Montanha e os Sopranos do rio CaradePau a fazer uma enquete, colocando Idiota como o mais preferido dos pobres. Como o Senhor do Feudo melhorou do surto dias depois, soltou a célebre frase: “Acho melhor o moçoilo guardar a viola, pois ainda não é hora de cantar o coro vivo”, música típica da localidade.

Enquanto Idiota enfiava os pés pelas mãos, Cretina na sua esquizofrenia plena cantarolava pelos quatro cantos de Misericórdia, da Serra do Boi Chifrudo até a Cachoeira da Traíra Sangrenta que seu filho seria o próximo Senhor do Feudo e que enfim ele iria realizar o sonho dela desde criança. Nessa época o Senhor do Feudo iria escolher quem teria os pés lavados por ele e ganharia a túnica branca, tradicional daquele que almeja ser o próximo Senhor do Feudo e tanto Idiota como sua mãe Cretina tinham plena certeza de que receberiam a túnica ou na pior das hipóteses, seria mais um concorrente na disputa do Senhor do Feudo.

Não se sabe como desenrolou toda a ação, mas há notícias de que Idiota se tornou consultor de pesca especializado em Traíras e Peixe Palhaço e Cretina, ora, Cretina voltou a observar a Montanha de dia e o rio a noite, sempre sonhando em se tornar um dia a Senhora do Feudo.

Esta é uma obra de ficção. Qualquer identidade ou semelhança com fatos ou pessoas da vida real é mera coincidência.

Sobre Pedro Monte-Mór

Pedro Monte-Mór tem 54 anos, é Jornalista Profissional, formado pela Universidade de Taubaté em 1986 e Pós-Graduado pela mesma Universidade em Assessoria de Imprensa, Gestão da Comunicação e Marketing em 2005. Carioca de nascença mora em Caraguatatuba há 44 anos e incorporou-se ao modo de vida paulista. O início da sua vida profissional se dá na década de 80, quando fez Free Lance para a Rádio Oceânica – AM 670 e Jornal Expressão Caiçara. No período universitário trabalhou de 1984 a 1986 na GAZETA DE TAUBATÉ, sob o comando do Jornalista Djalma Castro e como Correspondente em Taubaté do extinto JORNAL DO VALE, de São José dos Campos no ano de 1986. Trabalhou para o SEBRAE Litoral Norte – Regional São José dos Campos, Prefeitura Municipal de Caraguatatuba de 1989 a 1992, além de diversas outras entidades de classe, Como ACE (Jornal do Comércio) e AEAA-C (Jornal dos Engenheiros), sempre na direção Editorial. Prestou Assessoria de Imprensa para a Praiamar Transportes. Fundou os jornais O NOROESTE e NOROESTE NEWS em Caraguatatuba, respectivamente de 1997 a 1998 e de 1998 a 1999. Foi Correspondente do JORNAL IMPRENSA LIVRE, de São Sebastião, o único diário do Litoral Norte do Estado de São Paulo, de 1992 a 1996 e de 1999 a 2001. Trabalhou como Assessor de Comunicação da Câmara Municipal de Caraguatatuba de 2001 a 2012, exercendo também as funções de Relações Públicas, Cerimonialista e Mestre de Cerimônias. Exerceu função na Assessoria de Comunicação da Prefeitura de São Sebastião de Agosto de 2013 a Julho de 2014 e escreveu para o Jornal InfoImóveis de Dezembro de 2013 a Fevereiro de 2014. Ministrou aulas na UNIP em São José dos Campos (Marketing Político) e no Módulo – Comunicação (Fotografia e Teoria da Comunicação). Atualmente ministra aulas no IBRAP (Instituto Brasileiro de Administração Pública), nos cursos de Ouvidoria, Assessoria de Comunicação, Estruturação de Assessoria de Comunicação e Media Training.

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