Bagunçando o Coreto

* Sérgio de Paula

 

Bagunçando o coreto

Depois de uma certa idade –  no meu caso mais de 70 – é preciso procurar alegrias e felicidades nos becos dos calendários, para que tudo não se transforme no mimimi desgraçado das dores doenças e congêneres inerentes ao ser humano. Por este motivo, dou-me aos eventos momescos com afinco. Tipo: ir toda noite a praça da matriz em Caraguá, bagunçar o coreto.

 

Liberou geral

Apraz-me beber uma breja ou um vinho tinto gelado vendo aquela multidão de gente soltando pro mundo aquela alegria represada, o riso contido nos lábios, um rebolar de ossos e glúteos, o dar-se como se não houvesse amanhã. Compartilhando esta mágica que o carnaval opera em nós, libertando as barras duras da vida e nos tornando um escravizado liberto das mesmices da existência.

 

Mamãe eu quero.

Como não sacolejar o corpo diante de um mamãe eu quero? Não refletir sobre se você pensa que cachaça é água, cachaça não é água não? Ah, quem, por mais desprezado e insensível que seja, não se sente compensado ouvindo se você fosse sincera, ôôôô Aurora? Ou mesmo um ô jardineira porque estais tão triste?

 

Festa libertária

E de repente,  vem um bota a camisinha, bota meu amor, um atravessamos o deserto do Saara, um me dá um gelinho aí, um olha a cabeleira do Zezé? Não, absolutamente não. Não dá pra desprezar esse grito de felicidade que nosso carnaval nos proporciona e que é uma das festas mais libertárias da terra.

 

Eu tenho que ir embora

O ruim desta festa é que uma hora chega o tai, eu fiz tudo pra você gostar de mim, o se a canoa não virar, olê, olê Olá., eu chego lá E finalmente, depois do me dá um dinheiro aí, chega irremediavelmente o ai, ai, ai, ai tá chegando a hora. O dia já vem raiando meu bem, e eu tenho que ir embora.

 

* Sérgio de Paula é Decano no Jornalismo, tanto na região de Campinas como no Vale do Paraíba, Litoral Norte e Capital, com extensas e memoráveis passagens por Veículos e Assessorias de Imprensa em Prefeituras e na Assembleia Legislativa de SP. Em Caraguá trabalhou na Prefeitura e foi Editor da extinta Metáfora. A sua coluna terá assuntos variados que ampliam o conhecimento e forçam o debate.

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