*Jenny Melo
Deixamos a Ásia, atravessamos a Oceania e, agora, nossa jornada nos conduz a um continente que possui em suas histórias algo raro no mundo: a força de quem sobreviveu, resistiu e, mesmo assim, encontrou beleza nas palavras.
A África é extensa, diversa e repleta de vozes que foram negligenciadas pelas principais vitrines editoriais por muito tempo. Porém, isso está mudando — e esta edição é uma evidência disso. Prepare-se para descobrir alguns dos escritores mais influentes da literatura atual.
- Chimamanda Ngozi Adichie (Nigéria) — Americanah
Ifemelu cresce na Nigéria, se apaixona, emigra para os Estados Unidos em busca de um futuro melhor e lá descobre algo que nunca havia precisado nomear antes: ela é negra. Uma narrativa sobre amor, identidade e imigração que percorre continentes e décadas. Este é um dos romances que transforma a maneira como você vê o mundo, tendo sido eleito pelo The New York Times como um dos melhores livros do século XXI.
- Chimamanda Ngozi Adichie (Nigéria) — Todos devemos ser feministas
Conciso, direto e inegável. Chimamanda apresenta de forma clara e direta o que é o feminismo e sua importância para homens e mulheres, com base em uma palestra que se tornou um fenômeno global. Um livro que é pequeno o suficiente para caber no bolso, mas grande o suficiente para não sair da mente.
- Mia Couto (Moçambique) — Terra Sonâmbula
Durante a guerra civil em Moçambique, um velho e um menino percorrem caminhos devastados e encontram um caderno repleto de histórias. O livro combina poesia e prosa, realidade e sonho, entrelaçados em uma linguagem que parece ter sido criada intencionalmente para encantar. Reconhecido como um dos doze melhores livros africanos do século XX.
- Mia Couto (Moçambique) — As Pequenas Doenças da Eternidade
A mais recente publicação de Mia Couto no Brasil é uma coletânea de contos que abordam a finitude, o medo, o abandono e a pandemia sob a perspectiva de Moçambique. Uma leitura que nos faz recordar que a eternidade pode residir nos momentos mais simples.
- Chinua Achebe (Nigéria) — O Mundo se Despedaça
O romance que permitiu que a África se expressasse em seus próprios termos. Okonkwo é um líder admirado em sua aldeia, porém a chegada dos colonizadores europeus irá destruir tudo o que ele edificou. Mais de 20 milhões de exemplares vendidos globalmente. Achebe, reconhecido como o pai da literatura africana moderna, produziu uma obra que todos deveriam ler ao menos uma vez na vida.
- M. Coetzee (África do Sul) — Desonra
Após um escândalo, um docente universitário perde tudo e se muda para uma fazenda isolada na África do Sul para viver com sua filha. A história a seguir, que não dá trégua ao leitor, trata de poder, culpa, violência e dignidade. Coetzee, laureado com o Nobel de Literatura em 2003, possui uma precisão cirúrgica em sua escrita, sendo Desonra sua obra mais impactante.
A literatura africana não é um bloco homogêneo — é um vasto continente de narrativas, idiomas e recordações. O que esses autores compartilham é a ousadia de expor verdades que o mundo frequentemente prefere ignorar.
Na próxima edição, nossa jornada chega à América Latina — um continente próximo a nós, mas que ainda guarda muitas histórias para nos contar por meio dos livros.
Até lá, keep reading.
“A literatura é o meio mais prazeroso de escapar da vida.”
— Fernando Pessoa
Beijos da Jenny e Até.
*Jenny Melo – Escrevo minha história aos poucos, entre silêncios, livros e abraços.
Sou mãe, esposa, futura jornalista… e, acima de tudo, alguém que encontra sentido nas palavras e abrigo nas páginas.
Leio o mundo com o coração aberto — porque, pra mim, a vida é feita de histórias que a gente vive e outras que a gente escolhe amar.