*Jenny Melo
Na nossa última edição, atravessamos a Ásia de ponta a ponta pelas palavras de Han Kang, Murakami, Liu Cixin e tantos outros. Mas essa viagem está só começando e agora é hora de seguir para a Oceania.
Um continente que muita gente esquece quando pensa em literatura, mas onde vozes poderosas são guardadas, paisagens que transbordam das páginas e histórias que misturam o íntimo com o grandioso de um jeito que poucos lugares do mundo conseguem. Venha com a gente.
- Markus Zusak (Austrália) — A Menina que Roubava Livros
Uma menina chamada Liesel é deixada pela mãe na Alemanha nazista, numa casa de família simples, às margens do horror da Segunda Guerra. Ela aprende a ler e descobre que as palavras podem ser ao mesmo tempo arma e abrigo. Um dos romances mais emocionantes dos últimos tempos, narrado pela própria Morte — e mesmo assim cheio de vida.
- Markus Zusak (Austrália) — O Construtor de Pontes
Cinco irmãos que se criaram sozinhos depois que os pais foram embora. Um deles decide construir uma ponte — e essa ponte carrega o peso de toda a família. Uma história sobre culpa, redenção e o que escolhemos carregar da infância. Zusak confirma porque é um dos maiores narradores australianos em atividade.
- Liane Moriarty (Austrália) — Nove Desconhecidos
Nove pessoas chegam a um retiro de bem-estar em busca de cura, descanso ou uma nova chance. O que encontram é muito mais complicado — e muito mais perturbador — do que esperavam. Moriarty é mestre em pegar histórias aparentemente simples e torcer tudo no momento certo. Adaptado para série com Nicole Kidman no papel principal.
- Trent Dalton (Austrália) — Garoto Devora Universo
Uma história de formação ambientada no subúrbio de Brisbane nos anos 80, entre traficantes, um pai ausente, um irmão que não fala e um menino que acredita que vai salvar todo mundo. Inspirado na própria infância de Dalton, o livro é duro e poético ao mesmo tempo. Impossível de largar.
- Richard Flanagan (Austrália) — O Caminho
Estreito para os Confins do Norte
Um médico australiano sobrevive ao trabalho forçado nos campos japoneses da Segunda Guerra, mas passa o resto da vida tentando entender o que é culpa, amor e sobrevivência. Vencedor do Man Booker Prize em 2014, o livro é devastador e absolutamente necessário.
- Jane Harper (Austrália) — A Seca
Não chove em Kiewarra há dois anos, e quando três membros de uma família são encontrados mortos, um policial retorna à sua cidade natal para investigar. O calor, a vastidão e os segredos enterrados no passado criam uma tensão que não sai dos pulmões até a última página. Harper é a rainha do thriller australiano — e com razão.
A Oceania nos deixa com uma sensação peculiar: a de que esses autores escrevem como quem conhece bem o silêncio e a imensidão. Há algo de profundo na literatura daqui — uma honestidade sobre o que é ser humano que atravessa qualquer latitude.
Na próxima edição, nossa viagem continua. O destino? O continente africano, com suas vozes ancestrais e contemporâneas que o mundo finalmente começou a ouvir com mais atenção.
Até lá, keep reading.
“Não existe navio que possa nos levar a lugares mais distantes do que um livro.” — Emily Dickinson
Beijos da Jenny e Até.
*Jenny Melo – Escrevo minha história aos poucos, entre silêncios, livros e abraços.
Sou mãe, esposa, futura jornalista… e, acima de tudo, alguém que encontra sentido nas palavras e abrigo nas páginas.
Leio o mundo com o coração aberto — porque, pra mim, a vida é feita de histórias que a gente vive e outras que a gente escolhe amar.