O que os brasileiros leram em 2025 e o que isso representa para o futuro dos livros.

*Jenny Melo

 

Se você visitou uma livraria recentemente, é bem provável que tenha se deparado com pilhas de É Assim que Acaba ou observado alguém no metrô folheando Verity. Não se trata de acaso: em 2025, o romance contemporâneo ocupou as prateleiras brasileiras, e os dados confirmam essa afirmação.

Colleen Hoover, a escritora americana que se tornou um fenômeno nas redes sociais, esteve no topo das preferências dos leitores brasileiros, ao lado de autores consagrados como J.K. Rowling, Rick Riordan, Kiera Cass e Sarah J. Maas. Qual é o ponto em comum entre todos esses autores? Eles criam narrativas que tocam o coração, desenvolvem personagens com os quais o leitor se identifica e constroem mundos — sejam eles fantásticos ou do dia a dia — nos quais desejamos nos aprofundar.

O romance, em suas várias formas, foi o grande campeão do ano. Romance contemporâneo, fantasia romântica, ficção jovem-adulta: diferentes rótulos para um mesmo anseio de se conectar com histórias que abordam relacionamentos, autodescobertas e, claro, aquele frio na barriga que apenas uma boa história de amor pode proporcionar.

Porém, a situação da leitura no Brasil vai além das tendências do TikTok. Ao expandirmos nossa perspectiva, notamos que os brasileiros também têm uma conexão significativa com livros religiosos — principalmente a Bíblia — além de consumirem poesia, história, ciências humanas e literatura infantil e juvenil. Trata-se de um mosaico variado que ilustra como diferentes públicos procuram nos livros experiências distintas, como fé, conhecimento, nostalgia e imaginação.

E qual é o significado disso tudo para quem publica, vende e escreve livros no Brasil?

Em primeiro lugar, a indústria editorial deve estar ciente do poder das redes sociais e das comunidades de leitores. O sucesso de Colleen Hoover não veio de campanhas publicitárias convencionais, mas do compartilhamento de emoções por milhares de leitores na internet. Os hashtags #BookTok e #Bookstagram tornaram-se vitrines influentes, capazes de converter livros em best-sellers da noite para o dia.

Em segundo lugar, que há espaço para investir em escritores nacionais que abordem esses mesmos assuntos. Se o público brasileiro aprecia tanto o romance contemporâneo, por que não apoiar autores brasileiros que narram histórias ambientadas em nossas cidades, abordando nossos dilemas e nossa maneira de amar? A oportunidade está presente, aguardando editoras audaciosas e escritores talentosos.

Em suma, a variedade de gêneros consumidos indica que não há “um único leitor brasileiro”. Há diversos públicos com diferentes interesses. Enquanto alguns buscam escapismo em universos imaginários, outros buscam respostas espirituais ou desejam compreender mais profundamente a história do país. As indústrias que souberem se comunicar com todos esses públicos, sem menosprezar nenhum deles, terão um futuro brilhante.

O ranking de 2025 reflete quem somos atualmente: um país que lê por prazer, fé e curiosidade. E que, principalmente, ainda confia no poder de transformação de uma boa história. Que venha 2026 — com novos capítulos, novos escritores e novas experiências à espera.

 

Beijos da Jenny e Até.

 

*Jenny Melo – Escrevo minha história aos poucos, entre silêncios, livros e abraços.
Sou mãe, esposa, futura jornalista… e, acima de tudo, alguém que encontra sentido nas palavras e abrigo nas páginas.
Leio o mundo com o coração aberto — porque, pra mim, a vida é feita de histórias que a gente vive e outras que a gente escolhe amar.

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