*Jenny Melo
Ser leitor não é um título reservado a quem tem uma prateleira cheia de clássicos empoeirados ou a quem acompanha todos os lançamentos do momento. Ser leitor é, antes de tudo, estar disposto a se abrir para histórias, ideias e perspectivas — seja pelas páginas de um romance vitoriano, de um best-seller contemporâneo, de um quadrinho ou até de uma crônica curtinha no transporte público.
No mundo literário, existe uma discussão quase eterna: alguns defendem que o verdadeiro “leitor de respeito” é aquele que lê os clássicos, enquanto outros acreditam que é preciso acompanhar as obras atuais para estar em sintonia com o mundo de hoje. A verdade? Ambos têm razão… e ao mesmo tempo, ninguém está mais certo que o outro. Isso porque o ato de ler não deveria ser medido pelo “peso” cultural de um livro, mas sim pela sua capacidade de tocar, transformar ou provocar quem o lê.
A literatura é um território imenso, e justamente por isso deveria ser democrático. Ela cabe no bolso de quem ama Austen e de quem vibra com Colleen Hoover. Tem espaço para quem cita Machado de Assis de cor e para quem passa noites em claro com um suspense recém-publicado. Quanto mais diversidade existir nesse espaço, mais rica se torna a comunidade leitora.
E aqui entra o ponto-chave: respeito. O diálogo entre quem lê Dostoiévski e quem prefere um romance jovem adulto não precisa ser um embate, mas sim uma oportunidade de troca. Cada escolha de leitura traz um repertório único. O leitor dos clássicos pode oferecer contextos históricos, reflexões profundas e nuances que atravessam gerações. Já o leitor de obras contemporâneas pode trazer discussões atuais, representatividade e novas vozes que ainda estão se firmando no cenário literário.
Quando deixamos de ver essas diferenças como barreiras e passamos a enxergá-las como pontes, a comunidade leitora se expande. Ganhamos não só mais livros para conhecer, mas também mais olhares para aprender. E, no fim das contas, talvez ser leitor seja exatamente isso: viver nesse fluxo constante de descobertas, onde não existe “melhor” ou “pior” leitura — existe apenas a vontade genuína de se conectar com uma boa história e, de quebra, com outras pessoas apaixonadas por elas.
Seja você do time que mergulha nos clássicos ou daquele que vive na lista de mais vendidos, lembre-se: na imensa biblioteca que é o mundo, sempre haverá uma estante com o seu nome.
Beijos da Jenny e Até.
*Jenny Melo – Escrevo minha história aos poucos, entre silêncios, livros e abraços.
Sou mãe, esposa, futura jornalista… e, acima de tudo, alguém que encontra sentido nas palavras e abrigo nas páginas.
Leio o mundo com o coração aberto — porque, pra mim, a vida é feita de histórias que a gente vive e outras que a gente escolhe amar.