O empreiteiro Carlos Cogo pediu demissão do cargo de Secretário de Habitação no último dia 3 de setembro alegando problemas particulares. Antes disso houve remanejamento entre a Assessoria Parlamentar e a Sesep – Secretaria Municipal de Serviços Públicos sob a alegação de maior produtividade. Mantido em sigilo na verdade estes fatos mostram os desentendimentos internos no grupo político que gerencia a cidade atualmente.

Nem tudo é o chamado “Mar de Flores” na atual gestão municipal de Caraguatatuba. Se a saída de Ricardo Ribeiro da Secretaria Municipal de Educação mereceu toda a pompa de despedidas costumeiras e tradicionais, com direito a Nota Oficial e agradecimento do Prefeito nas Redes Sociais, o mesmo não podemos dizer sobre a saída do Empreiteiro Carlos Cogo, líder do PPS junto ao grupo dominante e responsável pela Secretaria Municipal de Habitação no início de setembro e do remanejamento, mantido em total sigilo, entre a Sesep – Secretaria de Serviços Públicos e a Assessoria Parlamentar do Executivo, leia-se Roberti Costa e Juarez Pardim, onde o primeiro assume a função do segundo e Pardim torna-se Secretário Adjunto da Secretaria de maior peso dentro do organograma municipal.

Na Contabilidade Geral das exonerações e pedidos de demissão o placar contabiliza sete alterações desde janeiro de 2017, sendo uma exoneração, quatro pedidos de demissão e uma troca de função envolvendo dois membros do staff municipal. O troca-troca começou com Giovana Capucho, da Sepedi – Secretaria Municipal do Idoso e Pessoa com Necessidade Especial, que ficou apenas quatro meses chefiando a pasta. O mesmo período ficou o Vereador De Paula, de julho a novembro de 2017, que assumiu o posto do ex-Vereador Wenceslau Lelau na Secretaria de Esportes. Ricardo Ribeiro foi o que mais tempo ficou no cargo, por 21 meses. Lelau foi o único a ser exonerado, em julho de 2017. Carlos Cogo está no governo desde o início, mas somente na Secretaria de Habitação foram 14 meses, o mesmo para Roberti Costa e Juarez Pardim que trocaram de função em julho, ou seja, após 19 meses no cargo.

A saída de Cogo está muito acima de um simples problema particular. De acordo com nossas fontes as relações entre o Secretário Cogo e o servidor comissionado Marcos Kinkas – ex-candidato a Vereador, ex-assessor do atual Presidente da Câmara e intimamente ligado politicamente com o pai do atual Prefeito nunca foram das melhores, com o registro de vários entreveros ao longo destes últimos 14 meses. Kinkas aliás tem em seu currículo uma discussão em altos brados e que quase chegou as vias de fato com um outro funcionário da Secretaria, em maio deste ano por razões administrativas.

Sabe-se que por várias vezes Cogo reclamou com o atual Prefeito da ingerência de Kinkas no mando do Secretário e no dia-a-dia da Secretaria e em todas as ocasiões, o Prefeito teria dito que “A Regularização Fundiária é responsabilidade do Kinkas”. Pelo visto o empreiteiro cansou de ser um fantoche dentro do atual cenário político, mesmo sendo o principal partido da atual estrutura dominante de governo na cidade.

Já o troca-troca entre Roberti e Pardim obedeceu, não só o lado político, como também o técnico e administrativo. Apenas para situar, Roberti Costa é Radialista e chegou a se candidatar a cargos eletivos em São José dos Campos no passado, acabando por se tornar mestre na limpeza, manutenção e embelezamento das cidades as quais trabalhou, como São José dos Campos, Taubaté e Caraguatatuba. Juarez Pardim é ex-Vereador e o causador da rejeição das contas de Aguilar Pai no passado, pois foi por sua pressão que o ex-Prefeito enviou Duodécimo acima do permitido para o Legislativo. Impugnado pela Justiça e dedicando seu apoio a campanha do filho, tornou-se Assessor Parlamentar da Prefeitura, que tem por obrigação estar próximo dos Vereadores e fazer o elo de ligação de seus pedidos e dúvidas para com o Chefe do Executivo.

A troca de lugares entre a Assessoria e a Sesep ocorreu devido a maneira de administrar a cidade desde janeiro de 2017. Com os excessivos e dispendiosos contratos de terceirização firmados pela atual gestão na Secretaria, a qualidade de serviços, a hierarquia e o comando de Roberti Costa se viram prejudicados. Comenta-se nos bastidores que Costa teria pedido para sair visto a atual situação, mas o Radialista é um dos trunfos e um nome de peso na atual gestão que não poderia ser desperdiçado. Com base neste princípio de caos, viu-se que a melhor alternativa seria a troca de cargos, aproveitando-se da experiência de Roberti Costa na área política. Para se ter uma ideia do quanto foi inusitada esta alteração é a de que ambos os transferidos mantinham um forte ritmo em suas funções anteriores.

A saída de Cogo e a troca de cargos entre Costa e Pardim são a constatação de que a engrenagem interna, que normalmente apresenta falhas no decorrer de uma gestão mostra um descontrole acima do imaginado, pela simples falta de uma melhor organização e administração física e política.

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