*Stefan Massinger

A vinícola australiana Penfold’s, uma vinícola icónica australiana, famoso pela qualidade e tradição, mas também reconhecido pela pesquisa e inovação no lucrativo segmento de vinhos premiums traz dois vinhos de sua cooperação com a empresa vinícola francesa Dourthe. Até aqui a mensagem não traz tanta novidade no conteúdo. Lemos com atenção e agradecemos pela notícia.

Mas peraí, vamos pensar um pouco. Apesar que o mundo está cada vez mais globalizado e pela evolução da tecnologia, da internet principalmente países colaboram cada vez mais em diversos nichos e mercados. Isso não para no negócio dos vinhos. Já existem vinhos com descrição no rótulo de “uvas europeus” – ou seja uvas de vários países europeus, cuidadosamente selecionado para criar blends, cuvées em francês, que agradam o público e que trazem caraterísticas de várias uvas e/ou safras.

Mas neste noticia, que chamou minha atenção estamos falando de uma colaboração de duas vinícolas em dois continentes diferentes, e como não bastasse, não são os continentes vizinhos como Europa/Ásia ou Europa/África. Estamos falando, sem preconceito, de um encontro entre dois produtores literalmente do outro lado do mundo. Como assim então? Vinho produzido em dois continentes – o primeiro blend “intercontinental”?   Cuvée II – o nome do produto – e feito “do bom e do melhor” das duas casas – Shiraz de Nurioopta, Austrália do Sul, e Cabernet Sauvignon e Merlot de Bordeaux, França. A designação II representa os dois enólogos Peter Gago e Frédéric Bonnaffous, responsável pelo projeto. Este vinho é oferecido por cerca de 400 euros/ algo em torno de 2000 reais/garrafa (preço europeu) – aqui no Brasil ouso a adivinhar que teremos de pagar algo em torno de 3000 reais para mais. O segundo cuvée chama-se FWT (French Winemaking Trial) 585. Foi elaborado a partir de Cabernet, Merlot e Petit Verdot do Médoc utilizando as técnicas de vinificação Penfolds. O FWT 585 custará cerca de 80 euros/ algo em torno de 400 reais/garrafa (preço europeu) – que deve entrar nas prateleiras brasileiras, se entre, por aprox. 600 reais a garrafa.

Ambos os vinhos pretendem representar uma reinterpretação do terroir de Bordeaux. Eles são montados e engarrafados na Penfolds. A expansão foi moldada pelas experiências do novo mundo. Patrick Jestin, Diretor Administrativo da Dourthe, diz: “Para empurrar os limites e produzir tal mistura foi uma experiência inesperada e extremamente fascinante.”

Acreditando nisso pela descrição das uvas usadas e pela qualidade dos produtores e pelo carinho que as duas casas têm pelo vinho, só posso concordar, sem ainda ter experimentado uma gota deste vinho interessante.

Com esta colaboração, a Penfolds está homenageando seu lendário enólogo Max Schubert, que teve a ideia do Cuvée Grange há 70 anos, após uma visita a Bordeaux. – Pois bem, bons projetos demoram para ser realizados ….

 

* Stefan Massinger nasceu na Áustria, sul de Viena, numa região de vinhos. Vive em Caraguatatuba, sendo master do grupo Wine, o maior e-commerce de vinhos da América Latina, responsável para gestão de pessoas e vendas. Também já trabalhou com venda de vinhos e atua também como consultor independente de negócios.

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