Estátua O Caiçara 31a

 

Em março de 1967 Caraguatatuba sofreu devido a fortes chuvas que ceifaram centenas de vidas. Passados 50 anos o Fenômeno Natural realmente é cíclico e novamente assolou a cidade em proporções menores. Se não refletimos quanto o que poderia se repetir, devemos repensar para isso nunca mais aconteça.

Em 1967 a nossa cidade era outra. Tínhamos cerca de 15 mil habitantes, a Ecologia não era moda e muito menos regra. O Caiçara vivia para o seu sustento e levava a sua vida dia após dia. Não foram cometidas agressões a Natureza, ao Meio Ambiente, a Fauna ou a Flora.

Simplesmente a cidade foi acometida de uma catástrofe de proporções absurdas, com registro de centenas de milímetros de chuva, que devastaram o município, matando um elevado número de pessoas oficialmente e um outro número por vezes elevado, de mortes oficiosas. Famílias desapareceram, casas, ruas e bairros foram devastados.

Graças a Thomaz Camanis Filho, um radio amador e apaixonado por Caraguatatuba que as autoridades conseguiram resgatar os sobreviventes. Aqui estiveram para coordenar a Força Pública, o Exército e a Força Aérea Brasileira. Donativos foram entregues. A cidade entrou para o rol das catástrofes brasileiras figurando entre as 10 mais, o Governo do Estado de São Paulo criou a Defesa Civil com base nas chuvas de Caraguá em 67 e teve até o caso do dono da venda que sumiu com o caderno do “fiado”, quando o Exército começou a controlar e distribuir o estoque dos comércios que não havia sido destruído pelas chuvas.

Isso ocorreu naquele tempo, restando aos moradores sobreviventes refletir para que isso nunca mais ocorresse, pois os intelectuais ligados ao assunto garantiram que este foi um Fenômeno Cíclico da Natureza, que retornaria 50 anos depois. A previsão estava correta.

As vésperas de lembrar e reverenciar os heróis e mortos do Cinquentenário da maior catástrofe da história de nossa cidade as chuvas retornam com força, mas menor intensidade e causando estragos nas proporções deste volume. Os prejuízos foram diferentes, os estragos em locais diferenciados daquela época, sendo apenas o temor e as nefastas lembranças iguais a 67.

Aprendemos algo nestes 50 anos??? Se antes era uma hipótese hoje é comprovado. O tão sonhado sistema de drenagem da cidade é um assunto para anteontem e já deveria constar como prioridade há pelo menos 12 anos.

Se em 67 precisamos do querido Thomaz Camanis Filho, hoje temos diversos meios de comunicação que acionados, colocaram a cidade em alerta para o fato, com a consequente vinda da Defesa Civil Estadual, que como já citamos, foi criada em decorrência das chuvas daquele ano.

Em 1967 as autoridades locais não sabiam por onde começar nem o que fazer, sendo necessário que os militares iniciassem o trabalho de resgate, salvamento e organização do município. 50 anos depois a Prefeitura mostrou-se despreparada para resolver a questão, o que é plausível, visto ser uma nova gestão e logo no início enfrentou uma situação de crise de grandes proporções. Ao mesmo tempo este fato não se explica, pois os integrantes da Defesa Civil e Servidores Públicos que já trabalharam em outros momentos de crise continuavam empregados e sabiam o que fazer.

O que se viu foi uma sucessão de falhas e organização. De uma comissão de gerenciamento de crise onde faltaram membros importantes, quem precisava falar se calou e quem não é do ramo tornou-se uma mescla de ouvidor e porta-voz, passando por um Chefe do Executivo que exagerou no populismo, de Vereadores que posaram como salvadores e até veículos de comunicação que provaram ser mais eficazes do que a própria Prefeitura na arrecadação de donativos para os flagelados, finalizando a uma série de contradições quanto a ordens e determinações.

Ao longo dos dias vimos segmentos da Sociedade Civil Organizada que se prestaram a ajudar e foram preteridas, pois nenhuma atribuição lhe foi dada. Mantimentos e donativos que arrecadados não eram retirados ou aguardavam horas para serem recolhidos e repatriados para os desabrigados. Viu-se até Servidores solicitando alimentação para eles próprios, quando a obrigação de alimentar as equipes é do Executivo e não dos moradores solidários. Não foi uma única vez, mas sim vários doadores e apoiadores entregarem eles próprios donativos e alimentação, pois a Prefeitura demorava em vir buscar.

Excetuando-se a falta de preparo da atual gestão não é momento de culpar alguém pelos estragos causados pelas chuvas, mas é voz corrente na cidade que o escorregamento no Morro Santo Antonio veio da falta de manutenção e de um melhor monitoramento no local e que se ocorressem as mesmas chuvas de 67 nos dias de hoje o prejuízo e a tragédia seriam ainda maiores do que naquela época, o que leva a crer que nada foi feito pensando em fortes precipitações na cidade.

Não podemos esquecer que as obras do Contorno da Nova Tamoios contribuíram e muito para alguns estragos em ruas, casas e condomínios ao seu redor, mas esse é um assunto para ser tratado posteriormente.

Ao final o que devemos levar em conta é que seja em 67 como em 2017 a cidade sofreu e o Caiçara é que a levantou e reconstruiu e com certeza isso ocorrerá sempre que algo ocorrer neste sentido, ou seja, o Caiçara venceu novamente!!!

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