*Stefan Massinger

 

A Corrida do Ouro nos Estados Unidos, que causou forte imigração e, logo em 1850, o Norte da Califórnia foi conquistado pela vinha, fazendo com que o enólogo pioneiro Agoston Haraszthy importasse uma grande coleção de vinhas europeias para a Califórnia em 1857.

Assim, em meados do século XIX, os Estados Unidos tinham duas grandes indústrias do vinho em costas opostas! No Sul na California e no Norte na região de Oregon.

Mas mesmo com a ascensão da Costa Sul e com o início da Costa Norte como conhecemos hoje, a produção de vinhos dos Estados Unidos sofreu com duas grandes fases. No fim do século XIX, a filoxera passou a devastar as plantações da Califórnia. Um problema resolvido na época com enxertos e que voltou a ter dois novos ataques anos depois.

Já no restante do país, a Repeal of Prohibition (Lei Seca) foi aprovada em 1920, causando um novo “baque” ao mercado de vinhos dos Estados Unidos. A lei perdurou até 1933, mas foi somente após a Segunda Guerra Mundial, em 1940, que o mercado foi recuperar.

A partir dos anos 70, os vinhos californianos passaram a se destacar no mercado, quando enormes investimentos foram feitos na região de Napa e Sonoma, trazendo importantes prêmios para a região. O lendário “Julgamento do Paris” tem que ser citado como marca d’água nesta época. Sobre este evento vou escrever separadamente numa coluna futura.

Pulando para o “hoje” – atualmente, quase todos os Estados do país são produtores de vinho, mas, os principais no mercado vinícola e de exportação são Califórnia, Washington, Oregon e Nova York.

Os Estados Unidos ocupam a quarta posição no ranking dos países que mais produzem vinho no mundo, ficando atrás apenas da França, Itália e Espanha, produzindo 2,43 bilhões de litros em 2019. Dados mais recentes não foram publicados ainda por causa da pandemia. E apenas na França, Itália, Espanha e Turquia existem mais vinhas do que lá. Sim Turquia, mas mais para consumo de uva e uva passa, que para produção de vinho.  De todo o vinho dos EUA, cerca de 90% dos vinhos provenientes do país são produzidos na Califórnia, tornando esta uma das maiores regiões produtoras de vinho do Novo Mundo. Os Estados Unidos também confirmam sua posição como o maior país consumidor de vinho do mundo em 2019, atingindo um recorde de 3,30 bilhões de litros por ano.

A história do vinho nos Estados Unidos é antiga, pois desde seu descobrimento se tentou produzir vinhos com as variedades locais (Vitis labrusca, Vitis riparia, Vitis rotundifolia, Vitis vulpina e Vitis amurensis), uvas comuns, conhecidas como americanas, que geravam vinhos simples e pouco saborosos.

 

* Stefan Massinger nasceu na Áustria, sul de Viena, numa região de vinhos. Vive em Caraguatatuba, sendo master do grupo Wine, o maior e-commerce de vinhos da América Latina, treinando interessados como empreender no mundo do vinho. Também tem uma empresa de venda de vinhos on-line e atua também como consultor independente de negócios.

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