*Jenny Melo
É um equívoco pensar que conhecemos a literatura do continente só porque somos vizinhos. A América Latina é um universo à parte — vasta, contraditória, apaixonante. Ela produziu alguns dos maiores escritores que a humanidade já conheceu, e ainda assim há sempre uma história nova esperando para ser descoberta. Prepare-se: esta edição vai te lembrar por que a leitura muda tudo.
Gabriel Garcia Márquez (Colômbia) — Cem anos de solidão
Um dos maiores clássicos da literatura, o prestigiado autor narra a incrível e triste história dos Buendía – a estirpe de solitários para a qual não será dada “uma segunda oportunidade sobre a terra” e apresenta o maravilhoso universo da fictícia Macondo, onde se passa o romance. É lá que acompanhamos diversas gerações dessa família, assim como a ascensão e a queda do vilarejo. Para além dos artifícios técnicos e das influências literárias que transbordam do livro, ainda vemos em suas páginas o que por muitos é considerado uma autêntica enciclopédia do imaginário, num estilo que consagrou o colombiano como um dos maiores autores do século XX.
Isabel Allende (Chile) — A Casa dos Espíritos
É tanto uma emblemática saga familiar quanto um relato acerca de um período turbulento na história de um país latino-americano indefinido. Isabel Allende constrói um mundo conduzido pelos espíritos e o enche de habitantes expressivos e muito humanos, incluindo Esteban, o patriarca, um homem volátil e orgulhoso, cujo desejo por terra é lendário e que vive assombrado pela paixão tirânica que sente pela esposa que nunca pode ter por completo.
Clarice Lispector (Brasil) — A Paixão Segundo G.H
Uma mulher entra no quarto de uma empregada que foi embora e tem uma experiência que destrói tudo o que ela sabia sobre si mesma. Isso é tudo e é também absolutamente nada — porque Clarice não escreve enredo, ela escreve o interior. Poucos livros na história da literatura chegam tão fundo na experiência humana. Lispector é um fenômeno que o Brasil muitas vezes não soube reconhecer em vida, mas que o mundo inteiro hoje reverencia.
Mario Vargas Llosa (Peru) — A Cidade e os Cachorros
História de fundo autobiográfico, sua história se desenvolve no Colégio Militar Leoncio Prado, em Lima, onde um violento código de conduta permeava o cotidiano dos cadetes – experiência vivida pelo próprio autor, enviado para lá ainda menino pelo pai autoritário.
Jorge Luis Borges (Argentina) — Ficções
Nesses textos, o leitor se defronta com um narrador inquisitivo que expõe, com elegância e economia de meios, de forma paradoxal e lapidar, suas conjecturas e perplexidades sobre o universo, retomando motivos recorrentes em seus poemas e ensaios desde o início de sua carreira: o tempo, a eternidade, o infinito.
Fernanda Melchor (México) — Temporada de Furações
Garotos brincam às margens de um canal e descobrem um cadáver putrefato. É a Bruxa, ou Bruxa Menina, figura icônica e temida em La Matosa, que parece lhes sorrir. A partir daí, em uma torrente narrativa intensa, Fernando Melchor recompõem os fatos que levaram ao crime a partir dos relatos de alguns dos envolvidos, criando um retrato visceral de uma cidadezinha perdida no México e seus terrores, um lugar dominado por pobreza, superstição, misoginia, preconceito, violência institucional e nas relações íntimas
A literatura latino-americana não é uma escola, não é um movimento — é uma necessidade. É um continente que aprendeu a transformar dor em beleza e silêncio em grito. O que esses autores têm em comum é a coragem de olhar para dentro, para o passado, para as feridas, e não desviar o olhar.
Na próxima edição, nossa jornada segue pela Europa — um continente de tradições antigas e vozes que atravessaram séculos para chegar até nós.
Até lá, keep reading.
“A literatura é fogo. Significa inconformismo e rebeldia, ela expressa uma necessidade humana de algo que a realidade não oferece.”
— Mario Vargas Llosa
Beijos da Jenny e Até.
*Jenny Melo – Escrevo minha história aos poucos, entre silêncios, livros e abraços.
Sou mãe, esposa, futura jornalista… e, acima de tudo, alguém que encontra sentido nas palavras e abrigo nas páginas.
Leio o mundo com o coração aberto — porque, pra mim, a vida é feita de histórias que a gente vive e outras que a gente escolhe amar.