Marchemos

* Sérgio de Paula

 

Estupefato-me ao fato de Caraguatatuba ter quase uma hegemonia contra, quando o assunto é marcha da maconha. Igreja, imprensa, poder público, legislativo, quase todos são contra. Não deveria ser assim. Porque o simples fato de a moçada sair das imediações do Edifício Bin Laden, na praia Martin de Sá, para ganhar a rua exigindo direito ao plantio em casa, já é um conseguimento digno de tirar o boné.

Mas aí você descobre que a maioria dos apoiadores da marcha, não são usuários recreativos, mas, sim, os parentes e/ou pacientes que precisam da planta parra atenuar suas dores. Ora pombas!

Mas tenho que fazer um mea culpa: quando era editor da página de polícia nos jornais Diário do Povo de Campinas e Jornal Valeparaibano, em SJC, era mestre em publicar manchetes garrafais tipo “Maconheiro preso com 3 pacaus na cueca” ou “Traficante com 40 gramas de maconha vai para a cadeia”. Triste ironia: hoje, com 40 gramas e por decisão da justiça, você pode circular livremente no Brasil inteiro.

Vim a me inteirar mais sobre o assunto quando descobri uma dor insuportável e maldita fustigando o meu corpo chamado neuropatia periférica diabética. Na época, para atenuar a dor, o único remédio disponível era o Prebictal, que custava 600 reais por mês e eu estava desempregado. Descobri que dois pegas, num baseado adquirido com amigos das quebradas do mundaréu, resolvia. Adivinha?

Hoje, depois de passar por consulta médica com um especialista no quadro de neuropatia periférica diabética, tomo gotas de canabidiol com receita médica e em total conformidade com a Justiça. Mas e quem não tem dinheiro? Passa dor ou vai marchar na rua?

Não sei ainda quando será a data da passeata. Nem, sei se a neuropatia permitir-me-á tal agraciamento. Mas se eu estiver aqui, com certeza cerrarei fileiras com ela, a marcha.

De resto… ora o resto.

– Puro preconceito de iletrados do saber medicinal das flores.

 

* Sérgio de Paula é Decano no Jornalismo, tanto na região de Campinas como no Vale do Paraíba, Litoral Norte e Capital, com extensas e memoráveis passagens por Veículos e Assessorias de Imprensa em Prefeituras e na Assembleia Legislativa de SP. Em Caraguá trabalhou na Prefeitura e foi Editor da extinta Metáfora. A sua coluna terá assuntos variados que ampliam o conhecimento e forçam o debate.

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