O POLICIAL MILITAR PERDEU O SEU VALOR SOCIAL?

Gentileza Policial 3

Os mais velhos vão lembrar os filmes americanos onde o policial de rua cumprimentava diariamente o jornaleiro, o açougueiro, o barbeiro, dono da banca de doces, o padeiro. Quantas vezes não rimos quando este “Cop” batia o cassetete no banco da praça ou no solado do bêbado ou dorminhoco que teria passado a noite ao relento.

Falando de Brasil, na década de 70, em plena Ditadura o Cabo Luizinho criou um laço afetivo e muito próximo da corporação com o público, atuando como policial de trânsito no centro de São Paulo e usando de humor para exercer as leis, como abrir as portas traseiras dos carros que paravam em cima da faixa de pedestres, para que as pessoas pudessem atravessar. Em Vitória o Inspetor Meirelles da Polícia de Trânsito de Vila Velha usa como base o lema: “Gentileza gera Gentileza” para fazer um trânsito mais humano, menos violento e mais interativo.

Chegando ainda mais no particular vamos citar Caraguatatuba, onde há anos esse trabalho mais carinhoso, humanitário e de dedicação ao próximo não é mais visto, está distanciado e muito distante de um ideal. O que teria acontecido com o Policial Militar em Caraguatatuba? O Policial Militar perdeu o seu valor social?

Falar de Polícia Militar em Caraguatatuba é falar de uma instituição correta, que nos traz a devida segurança e que luta pelo bem do povo local. Este caso em especial é mais próximo em Caraguatatuba, onde ao longo dos anos houve a comprovação da adoração que o policial daqui tem pela cidade. Uma prova disso foi no célebre assalto ao Bradesco, onde policiais foram vistos de pijama, armados até os dentes, atirando contra os assaltantes ou correndo as ruas do centro à procura dos que haviam fugido.

Ao mesmo tempo sabemos que as questões de gentileza e etiqueta vem de casa, do berço familiar e que são renovadas no treinamento dos praças, sargentos e oficiais. Por outro lado a questão da bandidagem atualmente teria dado uma carga de stress nos policiais de tal maneira que regras simples e básicas são esquecidas no dia-a-dia.

O BLOG CONTRA & VERSO ouviu as principais lideranças policiais da cidade e região sobre esse assunto. Segundo o Capitão Samir Tobias, Relações Públicas (P5) do 20º Batalhão do Interior esse é um comportamento individual de cada policial. “Os policiais estão mais preocupados com a segurança do que com estas regras, mas no geral o valor social e a gentileza policial continuam acontecendo”, disse.

O Capitão Daniel Lemes – Comandante da 2ª Cia. do 20º Batalhão fala em sensibilidade. “Essa perda de sensibilidade é comum no ser humano e estamos orientando quanto a isso”, relatou. O Major César Eduardo, Sub-Comandante do 20º Batalhão falou em orientação. “Essa proximidade ocorre mais com o pessoal do trânsito e não estamos mais cuidando do trânsito que agora é municipal. Mesmo assim sempre orientamos os policiais sobre a forma cortes de agir”, frisou.

O Comandante interino do 20º Batalhão de Polícia Militar do Interior, o Major Adalto Martins diz a realidade é o contrário da pauta do texto. “A Polícia Militar mudou a sua base de formação, voltado mais para o social do policial. Trabalhamos para o contrário. O dia-a-dia modifica as regras vindas de casa. Nós queremos o policial mais próximo da população”, disse.

A Comandante do Comando de Policiamento do Interior 1 – CPI/1, Coronel Eliane Nikoluk, em resposta ao blog diz o seguinte: “A Polícia Militar sempre manteve os princípios de apoio, assistência e auxílio ao cidadão, inclusive, quinzenalmente, para todo efetivo da Polícia Militar, são ministradas ‘Instruções Continuadas do Comando’ com variados temas, como por exemplo a realizada no período de   13 a 31 de agosto de 2013, que versa sobre a ‘Ética e Valores Policiais Militares’. Cabe ressaltar que o nosso policial militar, desde sua formação, recebe uma carga considerável de instruções voltadas aos Direitos Humanos, Ética, Valores Policias Militares, Valores do Cidadão, além do treinamento específico (prática). Exemplo disso é o próprio Policiamento Comunitário, que tem como um dos princípios básicos que o policial trate o cidadão da mesma maneira que gostaria de ser tratado inclusive em relação a própria família”.