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A nova administração municipal, que venceu as eleições de outubro por dramáticos 37 votos, assume definitivamente no dia 1º de janeiro após às 18 horas, com expediente certo no dia seguinte. Baseado na campanha realizada, nos “causos” relativos ao pleito, na coordenação impugnada que compôs a equipe e nas conjecturas políticas para os próximos 4 anos, não devemos esperar muito desta gestão que tomará assento na cadeira mais importante da rua Luis Passos Júnior, 50.

Se a resposta certa fosse uma previsão meteorológica, poderíamos prever um período de chuvas, seguido de trovoadas, ressacas seguidas de ondas altas e fortes, de raios e trovões, alguns alagamentos e possíveis deslizamentos. Mas longe de ser uma cópia daquele malfadado dia de dezembro, este texto se baseia numa análise profunda dentre o meio político e com conhecedores da política local.

Este governo que assume em janeiro já terá uma missão para lá de especial. Tentar convencer metade do eleitorado que votou de que irá fazer algo pela cidade, pois com o passar dos anos e com a crise política do Brasil, os adversários não o são apenas durante o período eleitoral, mas tornaram-se inimigos, do tipo eu contra você, eles contra os outros, o nosso lado contra o lado de lá durante todo o período que o adversário estiver no poder.

Uma campanha levada com problemas que se iniciaram com a renúncia do ex-Prefeito por estar impugnado pela Justiça Eleitoral e mantida por membros igualmente afastados de se candidatarem, que participaram do pleito e ainda hoje se mantêm dando conselhos, orientações e participações é algo que faz prever o quanto o lado negro da Força estará vivo na próxima administração.

Elaborar um Programa de Governo fantasioso onde não faltam promessas mirabolantes e difíceis de serem realizadas, seja pela criatividade de inventar o inventável, seja pela disponibilidade de verba orçamentária para tantas realizações é outro ponto que deve ser levado a sério para quando o eleitor perceber que nem tudo que foi prometido foi feito.

O que pensar da mistura de um Prefeito Eleito sem experiência, que mal participou da gestão quando seu pai exerceu o cargo, por estar praticando o Nepotismo e por causa disso, foi convidado a se retirar da Prefeitura pelo Ministério Público??? Aliado a isso está o irmão Vereador reeleito presidindo a Câmara Municipal nos 2 primeiros anos. Se o Executivo terá uma gestão semifamiliar, com o Prefeito recebendo conselhos do Pai ex-Prefeito impugnado, junte a isso a vitória do irmão Vereador reeleito no Legislativo??? É a familiarização total do poder na cidade, todos os poderes políticos concentrados numa só casa, num só sobrenome. Fico imaginando a cena matutina. Café da manhã na casa do Patriarca, com a Matriarca servindo café com pão de queijo aos filhos Prefeito e Presidente de Câmara e debatendo com eles os destinos da cidade. “Prefeito, você precisa mandar mais verba para a Câmara!!! E você Presidente, precisa aprovar os projetos do seu irmão, pois se não ele não consegue trabalhar. E o Patriarca na outra ponta da mesa a reclamar. “Vocês ficam discutindo política e eu ainda não comi o meu mamão e nem o meu mingau!!!!!”. Sem palavras para tal cena.

Aliado a toda essa confusão político administrativa está o apoio dos líderes políticos fora da cidade e da Prefeitura. Até 2018 não devemos esperar apoio total e incondicional de projetos e convênios do Governo Estadual para com Caraguatatuba, apenas o feijão com arroz, ou seja, aqueles projetos que toda Prefeitura consegue. A partir de janeiro Projetos Especiais e de maior vulto serão direcionados para São Sebastião, Ubatuba e Ilhabela, seja por deliberação do Palácio dos Bandeirantes, seja pela força do cacique político que ainda dará as cartas no ninho tucano local. Mas você deve estar se perguntando. “Em Brasília teremos vez, teremos voz, pois somos do partido do Governo!!!”. Ledo engano, pois Michel Temer terá muito trabalho nestes próximos 2 anos para se preocupar em fazer convênios, assinar projetos ou enviar verbas milionárias para nossa cidade, pois além de não haver apoio não haverá dinheiro para isso.

Outro ponto que deve ser levado em conta é o fato de que nem assumiu a Prefeitura e o Prefeito Eleito terá que domar os preteridos, aqueles que receberam promessa de cargos e funções em razão do apoio e foram colocados de lado. Estes arrependidos já se tornaram voz corrente e em alto som pelos cantos da cidade, ressaltando um velho ditado político, onde “o que eles falam em pé não mantêm sentados”. Citar o futuro Secretariado é nominar outro ponto negativo da próxima gestão, pois tirando algumas boas indicações e mesmo com os indicados por tempo determinado, que deverão ser trocados, provavelmente em abril ou maio, a equipe escolhida terá mais problemas para resolver do que propriamente realizações a fazer.

Conjecturando no futuro, os problemas serão tantos, as realizações serão tão poucas e a verdade das promessas fantasiosas será mais do que visível que não restará ao Prefeito Eleito inaugurar a mais nova tradição na política local; a do pai e do filho que terão apenas uma gestão para contar aos filhos e netos. Simplesmente uma trágica tradição. Finalizando, prevejo um período de trevas, similar a Peste Negra quando ocorreu na Europa, dias negros para não lembrar, mas que deverão ser analisados para não mais acontecerem.

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