Por trás do voto: como a tecnologia protege as eleições brasileiras

(Continuação)

 

 

 

* Marcio Luis

 

O Boletim de Urna

Existe ainda um elemento muito interessante: o Boletim de Urna.

Ao final da votação, cada urna produz um documento com os resultados daquela seção.

Esse boletim pode ser conferido e fica disponível para fiscalização. O TSE também informa que os resultados de cada seção são registrados nos boletins e disponibilizados para conferência pública. citeturn0search6

Isso permite uma comparação importante:

o resultado registrado na urna pode ser confrontado com o resultado recebido pelo sistema de totalização.

Ou seja, existe uma trilha de informações que pode ser verificada.

Mas a urna está conectada à internet?

Essa é uma das dúvidas mais comuns.

Segundo o TSE, as urnas eletrônicas não são conectadas à internet.

Isso reduz uma importante superfície de ataque durante o processo de votação.

Mas existe uma diferença entre a urna utilizada pelo eleitor e os sistemas responsáveis pela transmissão e totalização dos resultados.

Depois do encerramento da votação, os dados necessários para a divulgação dos resultados são transmitidos por meios definidos pela Justiça Eleitoral. O TSE informa que esses dados são assinados digitalmente na origem, criptografados durante a transmissão e verificados no destino. citeturn0search9

Ou seja, mesmo quando existe comunicação entre sistemas, existem mecanismos de proteção e validação.

Segurança é um conjunto

Talvez essa seja a parte mais importante de entender.

Não existe uma única “tecnologia da segurança eleitoral”.

Existe um conjunto.

Temos:

código-fonte + testes + assinatura digital + criptografia + lacração + auditoria + fiscalização + registros + conferência dos resultados.

Cada mecanismo possui uma função.

É semelhante a um sistema de segurança de uma empresa.

Você não protege uma rede apenas colocando um antivírus em um computador. É necessário pensar em firewall, controle de acesso, senhas, atualizações, monitoramento, backups e procedimentos.

Quanto mais crítica é a informação, mais importante se torna pensar em segurança de maneira abrangente.

Tecnologia e confiança

Independentemente de opiniões políticas, existe uma lição tecnológica interessante na estrutura das eleições brasileiras.

Sistemas críticos precisam ser projetados para serem seguros, testados antes de serem utilizados e auditáveis depois de sua execução.

Essa lógica serve para bancos, hospitais, empresas, prefeituras e qualquer organização que dependa de tecnologia.

Segurança não significa simplesmente colocar uma senha.

Segurança significa criar várias barreiras para reduzir riscos e criar mecanismos para identificar problemas.

E talvez seja justamente essa a maior lição que a tecnologia das eleições pode nos ensinar:

quando uma informação é importante, não devemos confiar em uma única proteção. Devemos construir várias camadas de segurança que possam ser verificadas.

Na próxima parte desta série, vamos falar de uma tecnologia que já está presente no nosso celular, nos bancos e agora também nas eleições: a biometria. Como uma impressão digital pode ajudar a confirmar que é realmente você quem está autorizado a votar?

Até mais!

 

*Marcio Luis – Engenheiro de Computação com MBA em Gestão de Energias e Data Science e pós-graduado em Segurança da Informação, com mais de 20 anos de experiência atuando nas áreas de Governança em TIC, Gestão e Implantação de Infraestrutura de Dados, Voz e Segurança. Como Web designer também possuo experiência de mais de 17 anos, com projetos diversos desenvolvidos para pequenas e grandes empresas. Responsável técnico do Site Contra e Verso e outros por aí. Pai de 3 e marido, que ama o que faz e que tem na tecnologia uma enorme paixão.

 

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