QUERO TRABALHAR NO DIA DO TRABALHO

Workers

Hoje é o Dia do Trabalho. Hoje se comemora o Dia Internacional do Trabalho, data onde os trabalhadores do mundo se congratulam, consagram a data e seus empregos, suas fontes de renda e sustento, tanto seu como de sua família. Atualmente a data tem que ser bem comemorada, pois ter um emprego está cada vez mais difícil. Um exemplo disso sou eu. Escrevo este texto para o BLOG CONTRA & VERSO, mas há tempos não tenho e gostaria muito de um emprego fixo.

A questão trabalhista no Brasil ganhou destaque durante o governo de Getúlio Vargas, que criou a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), a Carteira de Trabalho e a maioria das regalias conquistadas pelos trabalhadores nos últimos 50 anos. Tudo isso depois de um período conturbado, onde o trabalhador brasileiro não tinha apoio ou estrutura, organização, amparo ou respeito.

Neste santo ano de 2015 o Dia do Trabalho não será tão animado ou festivo. A Presidente Dilma Rousseff não fará uso da Cadeia Nacional para falar sobre a data pois não terá o que dizer sobre o dia. Os números de desemprego são maiores do que as Carteiras de Trabalho assinadas em abril, que tiveram um número muito pequeno.

Emprego já foi artigo mais fácil e menos escasso ontem, do que nos dias de hoje. Bons eram os tempos que bastavam os imigrantes descerem dos navios para, sem qualquer preparo ou instrução, trabalharem nas novas indústrias que haviam se instalado em São Paulo e no resto do Brasil. Nordestinos vinham de suas terras secas e improdutivas para se embrenhar na Construção Civil, nos Restaurantes, na Hotelaria, na Prestação de Serviços e em outros tantos ramos do comércio.

Até hoje Brasileiros se aventuram no exterior, buscando empregos que não exigem preparo ou conhecimento e na verdade são funções que o morador modelo do país que o Brasileiro se infiltra ou imigra não faria de jeito algum e muito menos pelo valor dos honorários oferecidos, valores esses que atraem os estrangeiros, no caso, os Brasileiros.

A falta de empregos hoje está dimensionada nos grandes centros, ou melhor, na região Sudeste, em Estados como o de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Em contrapartida o restante do país tem vagas, em menor número, em aberto de grau médio e superior, mas a falta de infra estrutura no Norte e Nordeste, impossibilitam um Engenheiro Paulista, um Médico carioca ou um Administrador de Empresas Mineiro de investir uma parte de sua vida no sertão da Paraíba, no Norte do Pará, na Floresta Amazônica ou no interior da Bahia. Ao invés disso correm de um lado para o outro, se esbarrando no Sudeste evoluído, tentando, não conseguindo e reclamando que a vida está ruim.

Emprego é algo tão escasso que deveria premiar quem o concedesse e abençoar quem o recebesse. São tantos profissionais saindo anualmente das Universidades e Cursos Técnicos que se por um lado a Sociedade está fazendo a sua parte educando e profissionalizando seus filhos, por outro o engarrafamento, o atoleiro de profissionais recém-formados com canudo na mão procurando uma ocupação assusta até o mais frio dos mortais.

Se não bastasse tudo isso, existe a diferença entre homens e mulheres na questão da contratação e no quesito salarial, onde a Testosterona ganha em média 30% a mais do que a Progesterona. Além disso, há os profissionais que na ânsia de conquistar uma vaga, depreciam o mercado, jogando o valor dos honorários e orçamentos para índices abaixo da crítica, desmontando toda uma estrutura de ensino montada ao longo de décadas. Há também o protecionismo exacerbado, onde apenas amigos ou membros de um determinado grupo conseguem empregos, serviço ou contratos, em detrimento de profissionais gabaritados que perecem a margem da sociedade.

Após a pintura deste quadro qual seria a solução? Expansão dos horizontes com a criação de empregos em outros locais deste país ?, Paralisação de algumas unidades de ensino por um período?, Extinção de algumas vagas para favorecer outras? A verdade é que são várias as alternativas e nenhuma delas viável para solução, que não implique em problemas terceiros com seqüelas irreparáveis. Eu não sei o que comemorar no Dia do Trabalho, sei apenas que continuo querendo o meu emprego.