SONIA RACY

O ESTADO DE SÃO PAULO – COLUNA DIRETO AO PONTO

16 DE ABRIL DE 2004


Repetindo o velho ditado “Em casa de ferreiro, o espeto é de pau”, embora se saiba que a comunicação empresarial no Brasil vem ganhando espaço a cada dia, nunca havia sido feita uma pesquisa para saber exatamente como esse tipo de comunicação é percebido nomercado brasileiro e quais os seus rumos futuros. As agênciasMega Brasil eWN&P resolveram assumir essa empreitada e fizeram entrevistas com diversos executivos de comunicação de grandes empresas, proprietários de agências de comunicação e professores da área. Os resultados, que acabam de sair do forno, serão apresentados hoje por Walter Nori, presidente da WN&P, no 7.º Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e RP, no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo.

Entre as tendências apontadas pela pesquisa, ficou claro, por exemplo, que a área tende, cada vez mais, a ser valorizada pelas empresas, ganhando status de ferramenta estratégica. A pesquisa, aliás, foi bastante clara nesse sentido: para 100% das companhias consultadas, a importância da comunicação aumentou nos últimos anos, 92% têm a expectativa de que essa importância aumente ainda mais e 81% consideram que a comunicação é uma área estratégica para a empresa.

Na área pública, as empresas estatais devem intensificar a terceirização de seus departamentos de comunicação,

seguindo o exemplo da iniciativa privada, e os governos deixarão de usar os serviços de comunicação apenas para “apagar incêndios”, convocando-os de forma contínua. Já as agências de comunicação corporativa/empresarial deverão ampliar a oferta de serviços, tornando-se agências full service.

A comunicação corporativa/empresarial, que já deixou há algum tempo de estar subordinada a outras diretorias,

deve ganhar ainda mais independência e status dentro das empresas. Uma decorrência do fato de ter deixado de ser  apenas ferramenta de divulgação, passando a influenciar nos aspectos comerciais e de sobrevivência das organizações. “Hoje, mais do que nunca, os setores de comunicação nas organizações têm metas a serem atingidas. A comunicação empresarial vai deixar, aos poucos, de ter seu foco principal voltado para a imprensa, usando outras ferramentas com igual ou mais intensidade”, destaca Nori.

Entre os problemas do setor apontados pelo levantamento, destaca-se o fato de o empresário brasileiro ainda não ter a cultura da comunicação, falha creditada às faculdades de administração, que não desenvolvem a cultura de comunicação corporativa/empresarial. Para as faculdades de comunicação sobrou a acusação de estarem defasadas em relação à realidade do mercado.