Os Taxistas de Caraguatatuba reclamam que desde a chegada do Aplicativo UBER na cidade, a queda no movimento e faturamento da categoria foi de cerca de 70%. O Aplicativo teve início em janeiro deste ano e já conta com aproximadamente 55 motoristas. O principal atrativo do UBER é a tarifa menor do que a praticada pelos taxistas.

O Aplicativo UBER nasceu, segundo pesquisa no inverno Europeu, mais precisamente em Paris, quando Garret Camp e Travis Kalanick precisavam de um táxi e não conseguiam. Surgia aí a ideia de criar um Aplicativo que fizesse a solicitação de um transporte como o Táxi. No ano seguinte o serviço – via Aplicativo – teve início na cidade de São Francisco, nos Estados Unidos e oferecia carros de luxo como Mercedes S550 e Escalade. O lançamento oficial do Aplicativo ocorreu apenas em 2010 nas versões Android e iPhone, sendo um dos pioneiros no conceito E-hailing. Em 2010 e 2011, devido ao sucesso, recebeu quase US$ 50 milhões em investimentos feitos por investidores anjo e venture capitalists.

Atualmente o UBER está em 82 países e mais de 300 cidades pelo mundo. No Brasil o Aplicativo chegou em 2014 primeiramente no Rio de Janeiro e posteriormente em São Paulo, estando atualmente em mais de 50 cidades, dentre elas Caraguatatuba. Ao longo deste período ações na justiça tentaram impedir a execução do Aplicativo, que foi sancionado, seja por Leis Municipais como por Lei Federal mais recentemente. A base do Aplicativo é encontrar um carro mais próximo de sua localização, com pagamento de tarifa menor do que a praticada pelos Táxis tradicionais.

De acordo com Antonio Ismael de Lima Oliveira (foto) – Representante dos motoristas do Aplicativo UBER em Caraguatatuba o sistema teve início efetivo em janeiro deste ano, não sabendo quem oficialmente o trouxe para o município. Na opinião de Antonio Ismael a vinda deve ter obedecido a demanda de Turistas e Veranistas que frequentam a cidade, principalmente no Verão. O representante conta que para ser motorista de UBER é necessário ter um carro no mínimo ano 2008, não ter registro criminal ou processo na justiça, ter a habilitação com a inscrição ‘Atividade Remunerada’, ter um carro completo, incluindo quatro portas e ar-condicionado e com toda documentação em ordem. A liberação para usar o Aplicativo como motorista leva em torno de seis dias, prazo que o UBER pede para análise da documentação.

Helinho Monteiro, representante dos Taxistas

Se em outros países e cidades do Brasil houve represálias quanto a instalação do Aplicativo, Antonio Ismael conta que em Caraguatatuba o trabalho iniciou e tem sido tranquilo. Ao mesmo tempo os motoristas do Aplicativo aguardam uma resposta da Prefeitura e Câmara Municipal, onde agradecem o bom atendimento do Secretário de Trânsito e do Vereador Carlinhos da Farmácia, para definir a regulamentação do Aplicativo na cidade. Habitualmente o motorista do Aplicativo paga 25% de comissão para cada viagem realizada e Antonio Ismael acredita que ao ser regulamentado na cidade o Aplicativo terá cobrança igual a feita na cidade de São Paulo, onde o UBER paga uma taxa por quilometro rodado por cada motorista.

Os motoristas do Aplicativo na cidade reúnem-se semanalmente para discutir assuntos relativos a categoria, além de organizar um sistema de descontos e vantagens em oficinas mecânicas, posto de gasolina, lojas de pneus e outros comércios relativos a indústria automotiva, como forma de reduzir os seus custos operacionais mensais. Antonio Ismael relata que a aceitação e recepção da população quanto ao Aplicativo é a melhor possível, não havendo registro de nenhum caso grave. Quanto as reclamações no atendimento o representa conta que o UBER recebe as demandas, informa o motorista e o orienta quanto a melhoras no atendimento ao cliente para evitar novos incidentes.

Falando em números Antonio Ismael conta que as viagens aumentam nos finais de semana devido aos Turistas e Veranistas que frequentam a cidade e são oriundos de municípios onde o Aplicativo está instalado. Durante a semana as viagens ocorrem mais durante o período da manhã e da tarde em proporções iguais nos sentidos Centro/Bairro e vice-versa além de São Sebastião, sendo que a noite as viagens são mais direcionadas para UPA – Unidade de Pronto Atendimento e urgências. Os motoristas do UBER tem folga semanal de um dia e estudam junto a direção do Aplicativo a redução da comissão de 25%. As viagens podem ser pagas em dinheiro ou Cartão de Crédito ou Débito. Antonio Ismael relata que em três meses fez 1.042 viagens e desabafa que mesmo com o movimento intenso, 50% da população ainda desconhece a existência do Aplicativo, com 40% dos moradores fazendo uso diariamente.

Quanto as reclamações de que os motoristas do Aplicativo pagam menos impostos ou taxas do que os Taxistas comuns, Antonio Ismael diz que isso não é verdade e para comprovar, apresenta um texto feito pelo site Suficiência Contábil, com base no demonstrativo de um táxi comum da marca Fiat, modelo Siena e um UBER num período de três anos. Segundo o site o Táxi comum paga fixo R$ 3.180,00 por ano no período, enquanto que o UBER paga R$ 9.748,30 no primeiro ano, R$ 1.569,24 no segundo ano e R$ 1.412,31 no terceiro ano. No final o Táxi terá pago mais de R$ 9 mil e o UBER mais de R$ 12 mil.

O Blog Contra & Verso procurou o representante dos Taxistas na cidade, o ativista e líder estudantil Helinho Monteiro, que falou pela categoria. Helinho reclama que o Aplicativo ainda não está regulamentado na cidade e por isso, não deveria estar funcionando. “Somos 70 taxistas prejudicados por uma fiscalização exigente que não acontece com outros que fazem igual”, disse referindo-se a Ilhabela, onde o Aplicativo e outros transportes são fiscalizados. Helinho Monteiro cita fatos como o alto custo da gasolina cidade e a falta de empenho do Poder Público em regulamentar e fiscalizar o Aplicativo, além de coibir o transporte clandestino na cidade, que aumentou nos últimos meses. O representante dos Taxistas estima que por causa do UBER, que congrega carros de fora da cidade, houve redução de 70% no movimento e faturamento da categoria. O representante dos Taxistas argumenta que na regulamentação a Prefeitura deveria fixar o número de carros dentre outros itens. “Enquanto o Aplicativo não regulamentado gostaria de saber se terei o ressarcimento quanto ao meu prejuízo”, finalizou.

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