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O Programa Mais Médicos do Governo Federal tem por base inserir médicos brasileiros e estrangeiros em todas as comunidades brasileiras numa parceria; O Governo Federal paga o salário do profissional e a Prefeitura paga a moradia. O objetivo é o de que todos os brasileiros tenham um médico com maior e melhor acesso, transformando a saúde pública e a do próprio brasileiro. Em Caraguatatuba temos desde fevereiro de 2014 um Cubano que sente-se irmanado com a população e não vê diferença entre o bairro do Perequê-Mirim e Havana – Capital de Cuba, onde nasceu e viveu.

Rusmel Garcia Baluja é o profissional de Medicina que há 17 meses cuida da população nos arredores da zona sul em Caraguá. Ele é casado, sua esposa trabalha com ele na cidade, tem 39 anos, 2 filhas, uma de 12 e outra de 5 anos, que estão com a avó materna em Havana, é formado pelo Instituto Superior de Ciências Médicas de Havana desde 1999 e fez Pós-Graduação, que no Brasil é igual a Especialização, em Medicina Geral Integrada até 2001. Trabalhou depois até 2004 em Cuba e depois entrou para o Programa de Médicos Cubanos no exterior na Venezuela até 2010, retornando para Cuba onde atuou como Professor de Medicina e vindo para o Brasil em fevereiro de 2014.

Segundo Baluja um médico em Cuba quando se forma recebe o título de Médico Geral Básico, e pode se especializar em qualquer das diversas clínicas, mas o chamado “Médico de Família”, tão propagado e famoso na terra de Fidel Castro se especializa em Medicina Geral Integrada. Em Cuba Rusmel Baluja atendia pacientes no consultório da comunidade no período da manhã e em alguns dias do mês, no período da tarde, visita comunidades e suas respectivas famílias. Além de cuidar de crianças a idosos, passando por adultos de ambos os sexos o médico em Cuba faz uma avaliação da casa e da família, seja no âmbito social, psicológico e biológico, observando se tem animais de estimação, estrutura da casa, esgoto, saneamento, água potável, alimentação, dentre outros.

Em Havana Rusmel Garcia Baluja trabalhou na periferia da capital, numa comunidade onde se misturam pequenas indústrias com produção agro-pecuária. Ao contrário do Brasil, numa comunidade humilde como aquela estão instalados 4 unidades de Saúde; Uma Maternidade, Hospital de Adultos, Hospital Pediátrico e um Psiquiátrico. O bem apessoado Rusmel Baluja diz com alegria que não há diferença entre os povos Cubanos e Brasileiros, pois nos 2 países e em suas respectivas comunidades os problemas da população são iguais, com a pequena diferença que em Cuba os moradores que atendia tinham necessidades financeiras.

O universo do nosso médico Cubano chega a casa das 50 mil pessoas em Caraguá com algumas discrepâncias, pois visita famílias de até 14 pessoas no Perequê-Mirim e estranhamente, no Porto Novo, um grande número de casas vazias, pertencentes a veranistas. Na UBS da zona sul Rusmel segue a mesma agenda, consultas pela manhã e visitas a tarde. Como todo latino, “hombre de sangre caliente”, a afeição, a amizade e o relacionamento com a população local foi dos melhores. Rusmel diz que o povo da zona sul o chamam de “Doutor”, de “Cubano” e de “Doutor Cubano”. Uma senhora certa vez alegou não entender o nome dele no carimbo e o chama carinhosamente de “Meu Cubano”. Segundo Baluja a intimidade chega a ponto de baterem na porta do consultório, interferirem durante a consulta, sempre pedindo atendimento, querendo carinho. “Se não fosse pela diferença da língua, diria que estava em Cuba”, disse ressaltando que o Brasileiro é muito parecido com o Cubano.

No que tange a seu trabalho como médico identificou que a população adquire mais doenças bacterianas do que outros tipos de doenças no Brasil, diferentemente de Cuba, onde os índices são menores. O médico frisou que os mesmos índices do Brasil ocorrem na Venezuela. Baluja acredita que em março de 2017, quando vencer o seu RG de Estrangeiro, terá a sua ordem de serviço renovada e aceitaria permanecer aqui. De acordo com o médico Cubano outros profissionais médicos estrangeiros puderam escolher a cidade onde trabalhar, menos os Cubanos.

Perguntado diz ter adorado Caraguá, onde a cidade e o mar são lindos. “Aqui moro perto do mar, em Havana moro há 10 minutos da praia. Apenas na Venezuela é que morava mais longe do mar”, frisou.

Tendo apenas 39 anos, Rusmel tem pouca informação da Cuba antes de Fidel Castro, mas tem uma expectativa positiva com a queda do embargo e o acordo entre Cubanos e Americanos.

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