A INFORMÁTICA DESTRUIU A INFÂNCIA

Nerd Informática

Uma boa pauta. As chamadas boas pautas são os assuntos interessantes descobertos pelo pauteiro que viram texto nas mãos dos redatores, dos repórteres, dos Editores, Colunistas e Articulistas do veículo. Um assunto tecnicamente bom pode vir de qualquer lugar, há qualquer hora ou momento e de lugares de onde menos se imagina.

O Jornalista vive disso. Dos momentos únicos, das situações especiais que ou nos trazem excelentes recordações, temas para explanar e assuntos para digerir através de bem traçadas linhas. Em outro momento eu já havia referido que Jornalista é o profissional que vive constantemente com Alzheimer. Eu explico. Os escribas do nosso dia-a-dia vivem relembrando o passado, mantêm firme o pensamento no presente e aguarda o futuro chegar, pois nele uma nova boa pauta deve surgir.

Todo esse devaneio foi feito para explicar que ao navegar numa rede social um fato me levou a lembranças de muitos anos, de momentos alegres da mocidade, da infância, de fatos alegres que contribuíram para a melhor fase da vida. Ao mesmo tempo lembro que no passado as gerações cresciam mais alegres, eram mais infantis, crianças de verdade. A infância é uma das fases de formação do homem, sendo necessária para que se forme um homem com estrutura, com base, solidificado em alicerces fortes. Com o advento da Tecnologia, da Informática e da modernidade a infância de hoje é a pior das últimas três gerações. Não se pode confiar em homens que no passado não foram crianças de verdade, no real sentido da palavra. Bons eram os tempos que computador fazia parte dos filmes de ficção.

Lembro bem, no auge dos meus 51 anos de idade, do que era uma infância de verdade. Subir em árvores, pegar Goiaba no terreno do vizinho, resgatar a bola do jogo no quintal do vizinho que tinha o cachorro bravo e ser rápido o bastante para que o cachorro não te mordesse. Ah…!!! que tempos bons eram aqueles. Em Caraguá jogávamos Basquete toda tarde na quadra da escola e como bons moleques, pulávamos o muro da escola e lá ficávamos até o sol se por. Passados os anos descobrimos onde e como comprar os fusíveis de cartucho e os colocávamos para jogar na quadra a noite. Os colegas alternavam jogar Basquete e Futebol de Salão nas quadras do Thomaz Ribeiro de Lima.

Fazíamos da nossa bicicleta a motocicleta de hoje. As Monarks e Calois daquela época eram para nós as Harley Davidson e as Hondas que todo adulto podia ter. Tampas de copinho de sorvete faziam o barulho dos potentes motores das motos e saíamos pela cidade a toda velocidade, imaginando estar há mais de 100 quilômetros/hora. Ainda no esporte não desprezávamos a praia e pelo menos no sábado e no domingo a tarde jogávamos aquela pelada na praia. A areia fofa forçava a musculatura e nos dava segurança para se jogar em carrinhos e divididas, dando demonstrações de virilidade para impressionar as meninas e se fazer respeitar entre os meninos.

Estranhamente não tinha o costume de ir a praia apenas para nadar ou ficar sem fazer nada. Simplesmente isso não tinha graça e ir a praia merecia algo de mais peso, como jogar bola, pescar e jogar Taco, ou, como alguns do Vale do Paraíba chamavam, Bat Chão.

Quantas vezes pescamos de linhada e ficávamos a tarde toda imitando a nossa maneira o Beisebol Americano. Uma casinha de cada lado, dois jogadores de cada lado, dois arremessando a bola e dois com os tacos, e a bola era arremessada com intenção de derrubar a casinha. Se a casinha fosse derrubada acabava o jogo e quem derrubou vencia. Caso contrário se o “rebatedor” conseguisse acertar a bolinha e a jogasse o mais longe possível, a cada cruzada de taco contava ponto até o máximo exigido para vencer.

Você pensa que a nossa vida de moleque parava por aqui??? Que nada!!! Houve uma época em que o nosso grupo de amigos montou um time de Carrinho de Rolimã, que recebeu o nome de “Scuderia Lixão”. Como se vê a pureza daquela época era tão boa e grande que fazíamos graça pejorizando aquilo que era nosso. Lembro que montamos a equipe, tínhamos logomarca, canto de guerra e competimos em diversos torneios informais. Nessa época a cidade era tão tranqüila que nossos pais poderiam nos monitorar, da saída de casa até o local onde fôssemos e vice-versa e o melhor de tudo, todos os vizinhos e comerciantes do trajeto nos conheciam e nos vigiavam.

Mas por que lembrar do passado, de uma época que já passou??? Simplesmente para frisar que a infância e juventude do passado era infinitamente melhor do que a mesma fase do presente. A informática enterrou a infância e a juventude de hoje. Atualmente os jovens ficam dentro de casa, enterrados em seus quartos, com os olhos e a mente voltados para as telas de seus Tablets, Computadores ou Smartphones. O jovem de hoje não come, não dorme direito, pois fica inebriado pela Informática. A infância e a juventude de hoje não vive as maiores emoções que o período pode proporcionar. O contato com o amor, a cara metade é infinitamente diferente. Bem,  mas isso é um outro assunto…….!!!!