*Stefan Massinger

 

O trimestre difícil para quem vive de vinho no Brasil. Depois de um ano em plena expansão de 2020 com crescimento fantástico de 40-50% nas vendas e passando a “marca mágica” de mais que 2 litros consumo por capita por ano, chegou 2021 – e o consumo se estabeleceu, mas ainda em nível satisfatoriamente alto. Assim, muitas pessoas estavam vendo uma oportunidade nesta onda de bebida nobre e abrirem negócios, muitos até sem conhecimento suficiente “do jogo” da importação, distribuição, preços, uvas e o que seja.

E em 2022? Este crescimento continuou? Brasil finalmente se tornou numa nação de apreciadores de vinho, como nossos “Hermanos” argentinos e chilenos?

Nem tanto – conforme a Ideal Consulting, que está especializado em acompanhar o mercado das bebidas no Brasil – os números de importação de vinhos e da comercialização das vinícolas brasileiras confirmam a esperada retração do mercado em janeiro. Neste primeiro mês do ano, em comparação com igual período de 2021, houve uma redução de 5% no volume de vinho que chega ao mercado nacional – este volume é formado pela soma do total de garrafas importadas com o que foi vendido pelas vinícolas brasileiras. No total, foram 24 milhões de litros comercializados entre as vinícolas e as importações, contra 25,2 milhões de janeiro de 2021.

Então, né …? Acabou a onda dos vinhos? Voltamos ser cervejeiros e vinho é apenas algo para alguns ricos e entendedores? Vamos olhar em mais um fato, apresentado pela Ideal Consulting:

A importação de vinhos e espumante registrou uma queda de 11% em fevereiro na comparação com o mesmo mês de 2021. No total, foram importados 983,4 mil caixas de 9 litros de vinhos neste mês, contra 1,1 milhão de caixas de fevereiro de 2021. Em valores, a redução foi de 11,5%, totalizando US$ 28,4 milhões.

Então tudo indica, que vinho está em queda. Mas espera, vamos interpretar os números da forma certa:

Depois uma onda excepcional por 2 anos, o crescimento está mais lento, ouso até de escrever “mais saudável”, mas ainda está um crescimento. Bem menos que estava nos anos da pandemia, mas ainda em mais ou menos 30% de expansão. Ufa, não tudo está perdido…. Mas o que significa isso para o mercado em 2022?

O que quer dizer isso para o mercado das importadoras e distribuidoras? E para os consumidores? Sobre isso vou opinar na próxima coluna semana que vem – porque é obvio que movimento no mercado causa movimento nos jogadores dele.

 

* Stefan Massinger nasceu na Áustria, sul de Viena, numa região de vinhos. Vive em Caraguatatuba, sendo Master do grupo Wine, o maior e-commerce de vinhos da América Latina, responsável para gestão de pessoas e vendas. Também já trabalhou com venda de vinhos e atua também como consultor independente de negócios.

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