* Por Beá Moreira

 

Numa caixa de costura,

No quarto da minha avó,

Tinha tanta coisa linda!

Tinha linha e tinha nó!

Aquela caixa continha

Muito mais do que armarinhos.

Dentro dela, sobras de sonhos

Lenços de choro, de dor, de carinho.

Lacinhos bem amarrados.

Retalhos de tempo, bordados

Com sonhos entrelaçados.

Panos cerzidos, rasgados.

Alinhavos de memória,

Esperanças, agulhas, estória!

Um dedal, muito bonito,

Mas que não impedia o grito

Do alfinete da paixão!

Ilhoses, colchetes, botão.

Tentei todos, foi em vão!

Pois nem eles foram capazes

De remendar, tão contumazes,

Os farrapos do meu coração!

 

* Beá Moreira é Cientista Social, e comenta sobre o cotidiano e suas nuances, de forma descontraída e despretensiosa, buscando fazer do leitor de qualquer idade, um companheiro de bate-papo.

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