Crítica Gastronômica_gd 5

 

Em outros momentos, como no Facebook assim como em outras Editorias, como o Blogueando, sempre apontei e escrevi sobre o Provincianismo e o Amadorismo do Comércio de Caraguatatuba, que parou no tempo, não evoluiu ou cresceu sob a eterna e ilusória desculpa de que o povo não tem dinheiro para pagar por um bom lugar, uma boa comida, com serviço e atendimento equivalentes, ou seja, como o povo é pobre não merece nada de bom, nada de qualidade. O mais estranho é que existem locais de qualidade que sobrevivem até hoje. Como será que conseguem tal proeza??? Até quando vamos continuar assim???

Fomos ao Bonito’s Bar e logo de início constatamos que o estabelecimento não é realmente local para pobres ou remediados, pois os preços cobrados requerem que o cliente tenha um mínimo de capital para desfrutar do local. Esta constatação faz cair por terra a eterna desculpa para continuarmos provincianos e amadores.

Saboreei junto com amigos de um Combo, de pedaços grandes e inteiros de Frango e não os cortados ao estilo Passarinho, fritos ao alho, adicionados de Batata Frita, Molho de Alho e pão. Indiscutivelmente o sabor ainda é igual ao dos tempos da inauguração, bem seco, sem gordura e frito na medida certa. O pão torrado com orégano é desnecessário e não tem qualquer relação com o prato servido, devendo ser repensado pelo proprietário da casa. Já o Molho de Alho realmente divino, na medida certa. Mas nem tudo são flores e o pior ainda estava por vir.

Os copos são antigos e de design já obsoleto, arcaico. O gelo apresentado em cubos pequenos é livremente servido pela casa. As cadeiras justificam o clima de “Boteco” e na verdade, não são nada confortáveis, desde que você fique por um bom tempo sentado ou tenha alguns quilos a mais ou problemas no osso do riso. Quanto ao atendimento duas mulheres apenas serviam as mais de 15 mesas que tinham clientes naquela noite com uma simples diferença; Uma delas era só sorriso e alegria enquanto a outra poupava uma menção agradável nos lábios, mostrando-se séria demais, diferenciando o padrão de atendimento.
A dupla de atendentes serviu a todos corretamente, mas há quem sempre chamava a garçonete sorridente, por sentir-se melhor. Outro ponto quanto as atendentes vem do uniforme. A sorridente usava calça preta e a séria e sisuda trajava uma calça jeans. Em termos de comércio, padrões iguais de atendimento e uniforme devem ser observados e respeitados.

Mas onde está o clima de “Botecão”??? Ao sermos servidos fomos municiados com pratos de isopor, no formato quadrado e do menor tamanho existente no mercado. O Molho de Alho veio acondicionado em copinhos plásticos de cafezinho, daquele servido em escritórios, consultórios, órgãos públicos, dentre outros. Imagino que tudo isso vem do fato de “facilitar” o serviço, a limpeza e a higiene do local. Pena que esta facilidade e falsa economia apenas prejudicam o local, pois esperava-se pelo menos recipientes de melhor qualidade para o molho e de pratos de plástico e talvez, uma máquina de lavar louça para a troca e limpeza destes componentes. Junto a essa miscelânea, adicione guardanapos do tipo TV, aqueles envoltos em recipientes de metal e que são dobrados nas duas pontas. De tanto manusear frango frito, que é feito na gordura, seus dedos ficam ensebados e um mar destes guardanapos sujos inundam a mesa.

Algumas ações e estratégias poderiam ser feitas para melhorar o serviço do local, equiparando o preço ou até elevando-o, para justificar, como protetor de camisa, lenços umedecidos, pratos de louça ou plástico, recipientes para o molho e copos de design mais moderno, o que enterraria de vez a concepção de Botequim, elevando o local para um “Restaurante”. Caso contrário o local vai continuar com a velha tradição, ao tradicional estilo de “Botecão de Frango”.

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