* Sérgio de Paula
Deveria existir uma rede antissocial, onde a gente pudesse manter relações só com os inimigos. No caso de algumas mulheres, dizer o quanto são podres, feias, sujas, prostitutas e malévolas. No caso de certos homens, afirmar o quanto são falsos, ordinários e podres.
Uma página para jogar na cara a falta de caráter desses inimigos, que se contorcem às gargalhadas falando mal da gente. Dos crimes de injúrias e calúnias perpetrados por eles contra nós, do fedor nauseabundo que emanam, do cecê fétido que tentam esconder com fragrâncias florais compradas no exterior. Dizer em letras garrafais – como as manchetes dos jornais sensacionalistas de antigamente – que você torce, do âmago do seu coração cheio de ódio, para que esse ser ignóbil e ralo, impuro e tosco, arda e rasteje e sofra nos quintos mais quentes dos infernos. Queria um local, uma página, onde fosse possível mostrar que eu torço para que o deus que a pessoa adora, para quem reza, e em quem firmemente acredita e teme, vire-lhe as costas e, ato contínuo, empurra-lo com toda força escada abaixo para que vá consumir seu podre e desprezível corpo – comido até as entranhas pelas escaras das maledicências – nas labaredas escaldantes vertidas pelas mãos do demo. Tenho uma pequena lista de gente assim, de inimigos declarados. Cabem em uma única mão, é verdade. Gente que, inutilmente, torce contra mim, quer ver minha derrocada final, inventam mentiras, distorcem fatos, propagam maledicências, mas não são capazes de fazer um enfrentamento direto, no cara a cara, por serem covardes demais. Perfídios demais, traidores e sujos e podres demais. Falsos demais. Enfim…
Pois é. Desopilei o fígado. Perdoem-me, amigos.
Mas vocês haverão de concordar comigo que seria uma boa ideia existir uma rede antissocial séria, vocês não acham? Eu acharia ótimo poder esbravejar às escancaras a minha verve mais repugnante. Tipo essa, que guardo no lado mais escuro do meu surrado coração para horas assim: da mais pura, exacerbada e torpe vilania. Bora pensar em criar algo assim?
– Eu topo!
* Sérgio de Paula é Decano no Jornalismo, tanto na região de Campinas como no Vale do Paraíba, Litoral Norte e Capital, com extensas e memoráveis passagens por Veículos e Assessorias de Imprensa em Prefeituras e na Assembleia Legislativa de SP. Em Caraguá trabalhou na Prefeitura e foi Editor da extinta Metáfora. A sua coluna terá assuntos variados que ampliam o conhecimento e forçam o debate.