*Stefan Massinger

Antes de entrar direto no assunto, me permitem de apresentar a belíssima fonte da coluna desta semana. O artigo é do jornal alemão “Wein Plus”, fundado em 1998 em Erlangen, Alemanha, hoje com 220.000 assinantes pode ser considerados um doas maiores veículos da eno-imprensa européia. Independente, financiado apenas pelos assinantes, este fato o torna uma fonte altamente confiável, quando se trata de mostrar novas tendencias ou degustações e críticas sobre vinhos. Degustações estão feitos sempre a cegas na sala da redação, sem se deixar influenciar em feiras ou direto nas vinícolas. Resumo: um farol importantíssimo quando se trata de críticas e opiniões sobre vinhos europeus e tendencias no mercado de vinhos na Europa.

Hoje vou apresentar um artigo sobre o “renascimento” dos rosés e a grande popularidade, que aparentemente está de volta. – Ok, na Europa, um ou outro leitor pode pensar. Mas sabemos, que muitas tendencias, que acontecem no velho mundo do vinho em breve chegam no novo mundo também.

Durante muito tempo, os vinhos rosés não foram levados a sério pelos apreciadores de vinhos. Foram considerados de segunda categoria, como vinhos com uma doçura residual desagradável para paladares menos exigentes. Mas sua imagem mudou: o consumo mundial de vinhos rosés está aumentando rapidamente – assim como sua qualidade e consequentemente os preços.

“Drink Pink” – “beba rosa(é)” – é o lema do German Wine Institute (DWI) para 2022. Seja na última edição da ProWein, uma das maiores feiras do vinhos do mundo, em Düsseldorf, Alemanha em 2022 ou nos próximos eventos. O foco deste ano são os vinhos rosés. O DWI está, assim, prestando homenagem a uma tendência global que não parece estar diminuindo. O DWI informou recentemente que a venda de vinhos rosés alemães no exterior se desenvolveu de forma muito positiva. Há uma clara tendência para vinhos rosés de maior qualidade, que não são entendidos principalmente como saciadores de sede, mas como vinhos independentes. Mas não apenas os rosés alemães estão em alta: Prosecco rosé, Chiaretto di Bardolino, os vinhos das Côtes de Provence – todos eles estão vendo uma demanda crescente, especialmente entre a geração feminina mais jovem. O vinho rosé sem dúvida está o vinho da vez, está na moda, está “on”, está em alta.

Os mais ortodoxos amantes de vinho tinto acusam obstinadamente os vinhos rosés de carecerem de tudo o que pode ser extraído das cascas das uvas: cor, aromas, estrutura, caráter. Na opinião deste espécie de apreciadores resta nada interessante num rosé então. Além disso, o rosé é um vinho técnico – o terroir o molda muito menos do que seu método de produção. Ele é um produto sem identidade real, intercambiável, sua origem secundária, conforme a opinião formado deste tipo de ferozes apreciadores dos tintos.

Mas, “o mercado é livre”, e apesar de uns gurus da fracção dos ortodoxos tinto-lovers, os números de vendas falam uma linguagem clara: de acordo com o DWI, a participação do rosé nas vendas totais na Alemanha (um dos mais importantes mercados de consumo de vinhos na Europa) agora é de 13%, e a tendência é aumentar. Porque leve, delicado, frutado, descomplicado – é assim que o vinho deve ser para muitos hoje. Dificilmente existe um negociante de vinhos que não esteja atualmente realizando uma campanha rosé. Como vinho de verão, como vinho de terraço, como aperitivo, como expressão de “saber viver bem” e em leveza – a lista de atributos positivos com que os rosés são anunciados é longa. E, de fato, as vendas de vinhos rosés aumentam exponencialmente com as temperaturas. Quanto mais se aproxima o verão, mais rosés são bebidos. Como se um copo de rosé fosse uma breve viagem a climas mais quentes, à Provença na França ou ao Lago de Garda perto de Verona na Itália.

 

* Stefan Massinger nasceu na Áustria, sul de Viena, numa região de vinhos. Vive em Caraguatatuba, sendo Master do grupo Wine, o maior e-commerce de vinhos da América Latina, responsável para gestão de pessoas e vendas. Também já trabalhou com venda de vinhos e atua também como consultor independente de negócios.

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