FEIRA LIVRE BRIGA CONTRA OSCILAÇÕES DE MERCADO

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A Feira Livre nossa de cada dia sempre foi uma tradição na vida do Brasileiro. Seja durante a semana, seja aos domingos, ir a Feira Livre sempre foi tarefa obrigatória da família. Enquanto a esposa faz as compras o marido e os filhos ficam na barraca do Pastel e do Caldo de Cana. Atualmente a Feira Livre enfrenta o seu mais novo adversário; As oscilações do mercado de hortifrutis fazem a Feira Livre ser tanto o Mocinho como o Vilão também.

Antigamente os únicos problemas que afligiam as Feiras Livres eram o excesso ou falta de chuvas, as geadas, a queda de uma barreira ou ponte e por que não uma greve de caminhoneiros, que era mais difícil de acontecer, mas não era impossível de ocorrer. Atualmente as finanças são consideradas o maior vilão das Feiras Livres, que ocasionam as oscilações de mercado e sua conseqüente alta ou baixa no preço final.

Em Caraguatatuba é grande o número de Feirantes que disputam mercado em 6 pontos da cidade durante a semana; Terça-Feira no Massaguaçu, Quarta-Feira no Centro, Quinta-Feira no bairro do Tinga, Sexta-Feira no Getuba, Sábado no Porto Novo e Domingo no Travessão. Para quem pensa que a profissão está em baixa se engana, pois há uma fila de espera de Feirantes aguardando poder colocar sua barraca e vender seus produtos.

O preço médio de uma barraca de 20 metros é de r$ 140,00 mensais de taxa municipal, pagos em 10 meses. A antiga modalidade de Feira Livre que funciona das 7 às 12 horas se alterou com o tempo. Hoje em dia não estão nela apenas os vendedores de Legumes, Frutas e Hortaliças, Temperos, Carne Seca, mas sim de Pão de Queijo, Óculos e Relógios da 25 de março.

Para a Feirante Adriana Pereira de Morais, na feira há 4 anos vendendo frutas e legumes a profissão ainda vale a pena, mas com ressalvas. “O povo não dá valor. Os produtos são mais frescos e alguns preços mais caros ou mais baratos do que o Supermercado”, disse. Para se ter uma idéia o seu tomate, de boa qualidade estava cotado há r$ 6,00 o quilo e a bacia de Brócolis Ninja era vendida há r$ 1,00. “O povo vê preço e não vê qualidade”, emendou.

A consumidora Esmeralda Francisco mora perto da feira do centro e costuma comprar sempre, mas alega que não está valendo a pena comprar. “Os mesmos produtos tem preços menores no Supermercado”, diz. Outra consumidora, Izabel Cristina, mantêm a fé na Feira Livre. “Os preços aqui são muito bons”, relata.

A Feirante Valdete Piloto tem uma barraca de 20 metros e está no mercado há 17 anos com frutas e legumes. “Estou para desistir. Há muita burocracia da Prefeitura, as mercadorias são caras e distantes para comprar e trazer. Falta apoio e as taxas são altas. Eu pago mensalmente por uma barraca de 20 metros r$ 1.400,00 por ano, dividido em 10 meses”,frisou. Dividido por 26 dias do mês o custo diário da taxa municipal é de r$ 5,39 e dividido pelo tamanho da barraca o custo aumenta para r$ 7,00 o metro.

Quem também defende a Feira Livre é Nilson Tomazini, de 74 anos e que trabalha no ramo desde 1951, sendo 31 anos somente em Caraguá. “A variação de preços é grande, ora o Supermercado é mais caro, ora é mais barato. Com a Feira criei minha família e não sei fazer outra coisa, por isso não posso reclamar”, disse o proprietário de uma longa barraca de temperos, queijos, carne seca, amendoim e jujubas.

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