No capítulo anterior eu queria porque queria voltar a velha e boa vida, moldada na riqueza e na moleza, com dinheiro no bolso e sem ter nada para fazer ou me preocupar. Devido a isso enveredei pelo mundo do crime, mas não deu certo. Por causa disso mudei completamente mas continuei no mundo do crime. Comecei a vender drogas.
Pensei profundamente sobre isso, se para voltar a velha vida eu precisava de dinheiro e não consegui êxito, nada melhor do que “empreender” naquilo que sempre usei. Pena que no final não deu certo.
Decidi procurar meus antigos fornecedores, aqueles que me davam o néctar dos deuses, que me levavam ao mundo de glória, de êxtase, de um aprofundamento utópico, de gozo gostoso e sensacional com várias e melhores mulheres. Devo admitir que foi diferente, pois normalmente eu chegava, apresentava a grana e pegava o correspondente, mas hoje, a quantidade era maior e eu precisava retornar com o valor acertado.
Acertei com o meu fornecedor na biqueira que irei vender para meus antigos comparsas de balada para poder prosperar e ampliar horizontes e olha que amigos de droga você tem bastante, só não pode confiar neles. Minha primeira compra era algo em torno de meio quilo, regiamente distribuídos em Eppendorfs de 2 ou 5 gramas. Como eu era novidade ofereci a droga com um preço abaixo do tradicional, para ganhar freguesia e espaço neste mercado. Se por um lado avivou minha memória rever velhos viciados dos tempos na nobreza, fiquei impressionado com a quantidade deles e porque apenas eu estava naquela situação de penúria, de extrema pobreza, quase um mendigo.
Mesmo com uma margem menor de lucro o dinheiro começou a entrar e entrava fácil. Visitava velhos amigos no Centro, no Topo e imediações. A notícia de droga boa e mais barata chegou até a Costa Sul e lá seria a minha próxima empreita, vender nas praias e para os turistas das casas milionárias. A segunda compra foi de 1 quilo e já recebia amigos de Caraguá e Ilhabela interessados em pó de qualidade.
Tudo que vem fácil vai embora fácil. Este velho ditado ainda está em voga, ainda bastante atual, assim como em Scarface, quando Al Pacino aprende a nunca usar aquilo que vende. Comecei a experimentar, tanto a Cocaína quanto a Maconha que havia comprado para revender e com o lucro menor, o Traficante começou a ficar nervoso com a perda de clientela e com os meus atrasos no pagamento.
Daí para a derrocada final foi um pulo. Faltava dinheiro, a vontade de usar aumentava e o Traficante me cobrava e ameaçava cada vez mais. Na verdade, entrei na pior sinuca de bico de toda a minha vida, me deixando com saudade quanto furtava Turistas e Veranistas nas praias.
Minha vida estava por um triz, já me imaginando morto, encontrado em algum matagal ou na beira da SP-55 e quando tudo caminhava para isso, percebi que alguém, em algum lugar ainda gosta de mim. Fui emboscado pelo Traficante e quando seria assassinado, minha estrela voltou a brilhar. Devido as ligações do Traficante com o Cartel Colombiano, fui salvo pela Polícia Federal, que havia infiltrado um agente e monitorava tudo que fazíamos, ou seja, eles me seguiam e esperaram o momento certo para prender o Traficante e a mim também.
Preso, o Delegado Federal, que conhecia o meu pai o chamou e na sala dele recebi a proposta. Minhas acusações seriam retiradas se eu me internasse numa Clínica de Reabilitação, pois esta era a chance de mudar de vida e me tornar algo descente para o meu pai e minha família.
Partiu para a Clínica, mas isso fica para o próximo texto.