E tudo começou com o velho Diário. Lembro bem dos tempos da Puberdade e da Juventude quando as amigas guardavam a sete chaves o seu Diário que nem os pais tinham acesso.
Geralmente era um caderno, com capa dura, todo trabalhado, alguns com espaço para ter a caneta junto. As folhas continham os relatos mais sagrados e secretos que a moça havia vivido e experimentado, sem contar as ilustrações e adesivos que eram colocados nas páginas. Era uma época onde a vida da garota era comentada em mal traçadas linhas, quando ela sentia vontade de contar e se expressar, mas o medo e a timidez a impediam.
Mas isso é passado, um passado de décadas e maravilhoso para aquele momento, a época do selo, da carta via correio, do telefone discado, da paquera na rua, nos bares, das festinhas com música lenta e por aí vai.
Mas aí os tempos mudaram, ficaram tresloucados ou para alguns, evoluíram e se modificaram por completo, quando todo mundo agora tem uma voz, seja para ostentar, para divulgar, para se gabar, para opinar e despejar um ódio desmedido. Estamos na época das Mulheres atualizadas e empreendedoras, que de submissas e dependentes do marido, tornaram-se autossuficientes e atualmente dependentes mais uma vez.
O Finado Ziraldo dizia que a Revista Caras era o melhor manual para Sequestradores naquele tempo, pois através das páginas daquele periódico sabia-se o que o rico e famoso comia, o carro que tinha, a casa onde morava, onde passava férias e quem era sua esposa, amante, filhos e namoradas. Bastava traçar o perfil da pessoa escolhida e o Sequestro estava armado, com a esperança de ganhar muito dinheiro.
Atualmente o Manual de Sequestro é eletrônico e está estampado em todas as Redes Sociais existentes neste mundo de Internet e nele as pessoas perderam a timidez e a vergonha, divulgando tudo que desejam, tudo que fizeram e tudo que desejam fazer. Não vejo como errado o uso da Internet na área da Cultura, do Turismo, do Comércio, da Educação e Informação, porém vejo como desnecessárias demonstrações íntimas de carinho e afeto com amigos e parentes, pois considero isso como um ato reservado, íntimo e pessoal entre parentes e amigos.
Nos dias de hoje não se pode mais falar em privacidade, pois se divulga o que comeu no almoço, o hotel que se hospedou no feriado, o carro e a casa que comprou, a garota que está paquerando ou o namoro que se findou e até o Veneno do discurso de ódio para situações que não agradam. É difícil falar em privacidade quando a vida das pessoas não tem mais segredos, resguardo ou intimidades e não é a Era Digital a culpada de tudo, pois ela não te empurrou para isso, pelo contrário, ela motivou a perda de timidez de milhões de pessoas pelos quatro cantos deste belo planeta azul e você acabou por embarcar nesta barca.
Não se pode falar em Desafio nos tempos de hoje, o melhor e maior desafio é você se conscientizar em não ser um divulgador de tudo, um “ostentador” de luxos e fricotes e se ater apenas em obter conhecimento e informação.
Não existe Privacidade na Era Digital quando você esquece o que é manter a privacidade.