MINHAS CIDADES

* Sérgio de Paula

 

CARAGUÁ

Desafiei os deuses no Canto Bravo.

Nadei com o meu cachorro Bill na cachoeira do Zé Cacete.

Vi tartaruga nadando na pedra do Jacaré onde lavo

a alma na imensidão anil e bebo nuvem como se fosse leite.

Destas paisagens daqui meus olhos viraram escravos…

Por mais que eu me afaste, mais as desejo por perto.

Caraguatatuba me faz balançar entre a arte do incerto

e o completo da vida,  quarando nestes meus dias alvos…

A tenho guardada em mim como febre, um deleite

Dias quentes, mornos, chuvas, moças, carnaval no coreto

Estas misturas de raças, dormindo num mesmo leito

de rio, de mar, de céu, de você, que é seu melhor enfeite.

Caraguá sem você é como um vaso sem ramalhete…

 

LINS

Quantas vezes – e o céu de Lins todo me viu –

desci chorando pela 7 de setembro

Pensei na morte, em plena 21 de abril

ressuscitei-me, enfim, na 15 de novembro..

As ruas de Lins, são como um velho navio

Cujo fantasma me persegue, e vai dizendo:

aqui teu sonho, aquele dia, se partiu.

E tinha um rosto de mulher que não me lembro

E tinha um sonho,um desejo, uma esperança.

Tinha uma ânsia, sepultada, em solidão.

De tão rapaz, posso dizer que era criança.

Tinha por velho, só meu velho coração.

que nessas ruas, rotas, da minha lembrança

hoje é a criança, que eu carrego nas mãos…

 

PARIS

Dans quel coin t’ai-je perdu ? Pas Les Halles?

À Rivolí, moi qui regarde le sol, et vous les étoiles ?

Rêver d’un bordeaux avec Brigitte Bardot à Montmartre,

aux côtés de Picasso, Beauvoir,  Jean Paul Sartre?

Ou était-ce quand – au sommet de la Tour Eiffel – Je me suis mis à regarder la Seine, et vous avez regardé le ciel?

Dans quel coin de Paris nous sommes-nous perdus ?

Quels secrets de Paris sommes-nous devenus…

Dans le combat à la Gare d’leste, dans les fleurs du Jardin des Plantes

Si c’était à Lafayete, je m’en souviendrais…

Ou manger un palmier sur les Champs Elysées

Dans le Quartier Latin, ou partagé entre l’art du Louvre et celui du d’orsay ?

Nous sommes-nous perdus dans l’énergie qui, en tant qu’aimant,

nous séparait quand nous étions encore enfants?

À la lumière du feu en l’honneur du soldat inconnu

Chez Tiffany’s, où avez-vous montré votre sourire de bijou?

Comment pouvons-nous nous perdre si nous n’avons jamais été ensemble?

– Je marche seul comme si j’étais un mort sur les catacombes …

 

* Sérgio de Paula é Decano no Jornalismo, tanto na região de Campinas como no Vale do Paraíba, Litoral Norte e Capital, com extensas e memoráveis passagens por Veículos e Assessorias de Imprensa em Prefeituras e na Assembleia Legislativa de SP. Em Caraguá trabalhou na Prefeitura e foi Editor da extinta Metáfora. A sua coluna terá assuntos variados que ampliam o conhecimento e forçam o debate.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Acessar o conteúdo