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Pensei, Pensei e repensei. Fui reticente até o extremo para escrever este texto, mas com os últimos acontecimentos me vi obrigado e ser necessário exprimir opinião sobre um fato que está em nossas portas, nas ruas de nossa cidade. O Movimento Estudantil de Caraguatatuba também aderiu ser Massa de Manobra de partidos políticos. Bons eram os tempos que os estudantes agiam sozinhos, sem qualquer intromissão.

O país tem enfrentado uma grande disputa política desde a última eleição presidencial que resultou na divisão da população e do eleitorado; metade favorável a candidata vencedora e o restante para o candidato derrotado nas urnas. Com a cassação do mandato de Dilma Rousseff e as quase diárias acusações, prisões e delações premiadas de membros de seu partido e empresários com base em casos de corrupção o clima na nação aquietou-se em parte, para consequentemente nascer a chama do aliciamento político, diretamente na parte mais frágil da Sociedade Civil Organizada; Os Estudantes tristemente transformados em Massa de Manobra.

Espalhados por todo o país as ações estudantis chegaram a Caraguatatuba. Primeiramente em novembro do ano passado, com a ocupação da Escola Colônia dos Pescadores, com base em alterações propostas pelo Governo do Estado na Educação Estadual e posteriormente nos últimos dias com a ocupação da Escola Alcides de Castro Galvão, baseados na PEC – Proposta de Emenda Constitucional 241, que limita os gastos públicos e congela os investimentos em Saúde e Educação pelos próximos 20 anos.

Na primeira ocupação, feita de forma mais romanceada, o assunto foi resolvido graças a intervenção do Juiz Ayrton Vidolin, que após várias reuniões e conversas com os alunos, os mesmos foram convencidos a saírem da escola. Já no caso da Alcides Galvão os alunos desocuparam a escola mediante a presença da Polícia Militar, que resultou na tentativa de fechamento da SP-99 – Rodovia dos Tamoios e o uso de força por parte dos policiais. Em ambos os casos é visível a participação de partidos políticos que usaram os estudantes como Massa de Manobra para conseguirem seus intentos.

Listando estes casos a memória me vem e recordo meus tempos de estudante. Mesmo vivendo durante a Ditadura Militar, de 1964 a 1985, tínhamos o ímpeto de revolucionários, pois todo estudante tem a sua fase de contestador, de tentar modificar o mundo e a vida. Reivindicávamos melhorias, queríamos mudanças, almejávamos um mundo melhor e lutávamos para isso, mas sinceramente, fazíamos toda essa engrenagem de forma diferente, ou melhor, de forma única, por nossos passos, nossas ideias e unicamente com nossas responsabilidades.

Costumeiramente formávamos comissão de alunos e íamos até ao professor, a diretora da escola para solicitar melhorias. Posso dizer que tudo era feito dentro do respeito, sem ameaças, sem ocupações desvairadas, quebra-quebra ou confrontos com a Polícia Militar e afirmo com toda a certeza que as conquistas chegavam aos 90%, ou seja, de cada 10 pedidos, 9 eram conseguidos e o melhor de tudo, por obra de líderes naturais e sem qualquer intromissão de partido ou bandeira política.

Saliento que a nossa briga, como estudantes não parou no Ginásio ou Colegial. No meu período universitário, quando frequentei o curso de Comunicação na Unitau – Universidade de Taubaté, participamos de um encontro nacional de Estudantes de Comunicação na USP – Universidade de São Paulo e juntos, sem qualquer partido, decidimos nos manifestar a favor da obrigatoriedade do Diploma de Jornalista para o exercício da profissão. Lá fomos nós para a Avenida Paulista, uns 50 ou 60 estudantes de várias escolas de Comunicação e iniciamos a marcha, que terminaria em frente a Cásper Líbero.

No meio do trajeto, com o trânsito todo parado na principal avenida da capital, surgem simplesmente 5 viaturas da Polícia Militar, lideradas por um jovem Tenente. Imediatamente sacamos de nossas bolsas dezenas de câmeras e gravadores e uma chuva de flash foram direcionados aos veículos e seus ocupantes. Nada foi poupado; os rostos dos policiais, suas viaturas com a devida identificação e seus respectivos dedo-duro (nome dado a identificação nominal do policial). Esperamos o Tenente chegar e como um relâmpago, microfones de todos os tipos e tamanhos foram direcionados ao Comandante da Operação. Ressalto que não houve um só ato de violência, pelo contrário, o Tenente chegou negociando e pedindo uma solução, pois se não ele seria transferido Presidente Venceslau (risos). Numa conversa rápida que não ultrapassou 10 minutos, acertamos que iríamos fechar apenas meia pista para liberar o trânsito e terminaríamos a passeata defronte a Cásper. Acordo feito, terminamos nosso movimento sendo escoltados pelos Guerreiros da PM Paulista, o trânsito andou de forma lenta, mas fluiu e todos foram para casa contentes.

Quero ressaltar que o Site de Notícias CONTRA & VERSO é favorável as manifestações pacíficas feitas por quem quer que seja, desde que não haja intromissão de partidos e sejam direcionadas ao bem comum. Concordo que algumas deliberações governamentais ferem o desejo da população e precisam ser contestadas, mas há maneiras e maneiras para isso. O uso da Justiça para contestar medidas do Governo é uma boa maneira. O uso de Deputados Estaduais, Federais e Senadores é outra alternativa. Vão a Justiça, ao Supremo Tribunal Federal. Pressionem do seu Vereador e que dele siga até o respectivo Deputado Estadual, Federal e até um Senador. Digam que se eles não resolverem, seus mandatos estarão ameaçados na próxima eleição, force-os a tomar uma decisão em prol do eleitorado, no caso os estudantes e as famílias dos alunos.

Não preciso lembrar que desacatar um Policial Militar, ocupar uma Escola Pública ou fechar uma Rodovia é considerado um delito, passível do uso de força por parte da autoridade policial se todas as alternativas de negociação forem esgotadas. Estudantes, sejam vocês realmente, sejam revolucionários naturais, conscientes e não massa de manobra de partidos que almejam voltar ao poder e tratar vocês primeiramente como degrau e posteriormente como produto descartável. Esta é uma das melhores fases da vida, por isso não a estraguem sendo manipulados.

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