* Sérgio de Paula
Levantei voo de Marrakesh agora. Só posso dizer uma coisa: são preparados para receberem os turistas. Quando descobrem que você é brasileiro então, ficam loucos. A coisa é tão absurda que vi um cara sendo tratado com todas mesuras e carinhos por ser brasileiro. Na hora puxei conversa com ele. Resultado: era brasileiro porra nenhuma! Era norte-americano mas disse que passava por brasileiro só para ser bem tratado. Kkkkk
É uma cidade secular. Fiquei num Riad dentro da Medina, a cidade velha cercada por muralhas onde só circulam bikes e motos, dado ao aperto do local. Senti-me como um morador destas comunidades cariocas, mas desprovidas de qualquer violência. Não vi uma briga, uma discussão, um desrespeito. Nem da polícia! Aliás, aqui as motos não têm placas, os motoqueiros não usam capacete, os taxis não possuem cinto de segurança! Parece a casa da mãe joana mas não é, porque tudo segue seu ritmo na paz e harmonia.
Acho que é pela proibição do álcool. Mas imagina um calor de 40 graus e você não ter direito de saborear uma breja. Ou – para quem gosta – saber que o país é o maior produtor de haxixe do mundo e não ver uma boca de fumo. Ou melhor: não sentir no ar durante 10 dias as marolas que fumegam toda hora nas imediações do Bin Laden da Martin? Choise de loque.
Mas uma coisa é preciso que se diga: as diferenças entre a vida dos homens e das mulheres locais saltam aos olhos. Enquanto eles riem, trabalham, se tocam em piadices e brincadeiras, elas são fechadas nas burcas, não respondem aos bonjours, vivem isoladas. Pouquíssimas trabalham no comércio.
De bom ainda tem o dinheiro (dirhan) que vale metade do nosso real.
Ah, antes que me esqueça: esse papo de mulher ocidental ter que cobrir o corpo pra não mostrar nem os ombros já era, viu. Parece que os caras lá estão preparados para receber turistas da forma como eles são em todas partes do mundo.
Agora vou ter que parar porque o avião está descendo em Paris.
– E Paris é outra história…
* Sérgio de Paula é Decano no Jornalismo, tanto na região de Campinas como no Vale do Paraíba, Litoral Norte e Capital, com extensas e memoráveis passagens por Veículos e Assessorias de Imprensa em Prefeituras e na Assembleia Legislativa de SP. Em Caraguá trabalhou na Prefeitura e foi Editor da extinta Metáfora. A sua coluna terá assuntos variados que ampliam o conhecimento e forçam o debate.