*Jenny Melo
Há uma cena que muitos pais conhecem e que provoca um sorriso imediato: o filho adolescente, aquele mesmo que vivia grudado no celular, está quieto, concentrado, virando as páginas de um livro. O impulso natural é de celebrar — e comprar mais livros sempre que ele pedir.
É um impulso bonito. Mas carrega um risco que quase ninguém menciona.
Capa com cores pastéis, título em fonte cursiva delicada, ilustração encantadora — e dentro, nas primeiras páginas, temas como abuso, suicídio ou sexualidade explícita. Não porque seja um livro ruim. Muitos desses títulos são obras relevantes e bem escritas. O problema é que foram feitos para um público específico: jovens adultos com repertório emocional para atravessá-los.
Uma criança de 11 anos ainda está construindo esse repertório. Encontrar certos conteúdos antes da hora não é só inadequado — pode ser perturbador de formas que ela sequer consegue nomear.
No Brasil, livros não têm classificação etária obrigatória como filmes e jogos. Mas editoras responsáveis indicam a faixa recomendada na contracapa ou no site. Vale o hábito simples de checar antes de comprar — não para censurar, mas para acompanhar. Há uma diferença enorme entre dizer *”você não pode ler isso”* e dizer *”vamos conversar sobre o que aparece aí.”*
Incentivar a leitura é fundamental. Incentivar com presença é ainda melhor. Porque ler bem não é ler muito — é ler na hora certa.
“De todos os instrumentos do homem, o mais assombroso é, sem dúvida, o livro. Os demais são extensões do seu corpo… Só o livro é uma extensão da imaginação e da memória.”
– Jorge Luis Borges
Beijos da Jenny e Até.
*Jenny Melo – Escrevo minha história aos poucos, entre silêncios, livros e abraços. Sou mãe, esposa, futura jornalista… e, acima de tudo, alguém que encontra sentido nas palavras e abrigo nas páginas. Leio o mundo com o coração aberto — porque, pra mim, a vida é feita de histórias que a gente vive e outras que a gente escolhe amar.