Nivaldo Alves 76

 

O que e quem somos??? São várias as alternativas. Para os Nutricionistas somos aquilo que comemos. Para os modernistas somos o retrato do nosso tempo. Os Psicanalistas alegam que somos o resultado do meio que interagimos. Os Educadores alegam que mostramos o que aprendemos durante uma vida. A Sociedade opina que temos a cara do grupo que vai da infância a juventude. Os Historiadores dizem que agregamos um pouco da história que vivemos e por aí vai. Na verdade carregamos a herança do nosso aprendizado. Com Nivaldo Alves não foi diferente, pois ele carrega o legado de seu pai, Firmino José Alves.

O legado de cada um mostra o caráter, as ideias e o jeito de pensar e agir. No caso o legado de Nivaldo Alves é um legado de luta, de educação, força de vontade e desejo de vencer. Nascido em outubro de 1917, durante a Primeira Guerra Mundial em Natividade da Serra, Firmo José ou Zé Firmino, como era conhecido, chegou em Caraguatatuba no ano de 1925, pois precisava estudar e foi morar no Porto Novo. Deixado na casa de um casal que mal conhecia em São Sebastião até concluir o segundo ano do antigo Grupo Escolar, fugiu de casa numa tarde chuvosa, pois era menosprezado pela citada família e retornando para a casa de seus pais, recusou voltar para São Sebastião.

O tempo passava e Zé Firmino crescia e amadurecia e vendo-se no direito de tocar a sua vida por conta própria, mudou-se para Paraibuna, onde conhece Geralda Conceição Alves, contraindo matrimônio e desta união, nascem nove filhos, sendo que três faleceram na primeira infância. O destino nunca foi muito amigo de Firmino, que perdeu dois filhos entre os três e oito anos de idade na mesma semana e o terceiro por falta de recursos médicos. Estes acontecimentos transformaram Zé Firmino num homem crítico e político, mas com visão humanística e igualitária, juntamente com extrema religiosidade e temência a Deus. Morador em Caraguá por mais de 50 anos, trabalhou na Fazenda Anglo, mais conhecida como Fazenda dos Ingleses e na Construção Civil no centro da cidade, além de comerciante. Pau para toda Obra, aceitava qualquer serviço que surgisse, desde que pudesse ajudar a criar os filhos.

Ofereceu e conseguiu aos filhos, na medida do possível, uma base escolar sólida, visando o mercado de trabalho e a competividade, proporcionando envolvimento político e social. Participante ativo das questões políticas da nação, foi candidato a Vereador, simpatizante da Coluna Prestes, torcedor do São Paulo e assinante da Revista O Cruzeiro e Seleções. Difusor da História Mundial para com a sua prole, tinha como frase; “O importante não é saber tudo de pouco, mas sim um pouco de tudo!!!”. O envolvimento político teve o seu ápice quando ao montar um bar próximo a Casa de Saúde Stella Maris, deu-lhe o nome de 1º de Abril, em alusão a Revolução de 31 de março de 64, o qual mostrava o seu descontentamento.

Mas como o destino nunca foi complacente com ele, vem a Tromba D’Agua de 1967, quando perde tudo que havia conquistado, mas que graças a sua luta, sua vontade de viver e vencer, reconstrói a vida, mantendo uma qualidade de vida para sua esposa e filhos. Como homem politizado e ligado a história, falece em 15 de Novembro de 96 – Dia da Proclamação da República, deixando como herança a sabedoria, atitudes marcantes e uma de suas mais célebres frases; “Quem não morre, não vê Deus!!!”, sempre tomando decisões dentro de sua experiência, de suas convicções.

Esse é legado herdado por Nivaldo Alves, um homem de visão social, política, austero na vida, com o dinheiro e a causa pública, apoiador e conhecedor da terra onde nasceu e do povo com o qual convive, onde cresceu e fez sua vida. Para Nivaldo tudo pode melhorar, se fazer diferente e dando valor a nossa gente.

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