* Sérgio de Paula
Fui a uma loja de Caraguá levar um equipamento para conserto. Tipo cortador de grama. Já tinha ido várias outras vezes, levando outros equipamentos elétricos para reparação. Estranhamente meu nome não constava como cliente da casa. Ué…
Três lindas moças estavam a minha frente. Disse meu nome completo. Nada. O número do meu RG: nada consta. Meu CPF. Necas de pitibiriba. Olhei para as três moças, e soltei essa: “ A empresa mudou de dono?”. Elas disseram: “Não”.
Em minha eterna atuação de velho galanteador de quinta, peguei o documento e disse assim, meio que na base dos galanteios: “Estranho porque eu não falava com nenhumas de vocês não… A moça que me atendia era uma gordinha.”
De súbito, senti um espanto no rosto de uma, um sorrisinho no canto do lábio da outra, e de outra, um levar dos dedos à boca como se tentasse com isso, conter uma gargalhada… Na hora me bateu uma ideia… E saiu sem que eu pudesse me conter:
“A menos que aquela moça tenha se entupido com jarros e jarros de monjaro, né? Só isso pode explicar…”, completei querendo não ter ido tão longe naquela conversa.
E então o espanto no rosto de uma, o sorrisinho nos lábios da outra e a gargalhada contida pelos dedos na boca da terceira explodiram em gargalhadas.
Pedi desculpas olhando para o rosto das três. Uma por uma. Todas disseram que não foi nada, que é isso, fica tranquilo.
O mundo anda difícil mizanfio. E o pior é que não sei até agora quem era a gordinha que desfilava na loja com as magras carnes de suas novas vestimentas corporais…
Gordofóbico eu? Não. Só um velho galanteador sem papas na língua …
* Sérgio de Paula é Decano no Jornalismo, tanto na região de Campinas como no Vale do Paraíba, Litoral Norte e Capital, com extensas e memoráveis passagens por Veículos e Assessorias de Imprensa em Prefeituras e na Assembleia Legislativa de SP. Em Caraguá trabalhou na Prefeitura e foi Editor da extinta Metáfora. A sua coluna terá assuntos variados que ampliam o conhecimento e forçam o debate.