Novos tempos pedem adequações

Nem tudo é como a Poupança do extinto Banco Bamerindus, que passa, voa e continua numa boa. Os tempos passam, mudam, se modificam e nós que aqui vivemos precisamos nos adequar. Podemos não concordar, mas temos que compreender e nos adaptar. É o tradicional choque de gerações.

Venho de um tempo onde assobiar para uma mulher era sinal de elogio, pois significava que ela é uma mulher bonita, de corpo chamativo e sensual e com atrativos que empolgam um homem. Não sou adepto das cantadas chulas e baratas, mas dos gracejos inocentes e até com duplo sentido, mas de forma educada e gentil. No meu tempo mulher não admitia passar por uma obra e não receber um gracejo do pedreiro ou pintor que lá estivesse, que no primeiro espelho se olhava e media para ver se tudo estava em ordem.

Nesta mesma época as mulheres não se expunham, sendo visualizadas em propagandas de remédios, tecidos, lojas e eletrodomésticos, bem vestidas e maquiadas, citando frases e textos sobre a importância do produto que estavam vendendo.

Atualmente os gracejos masculinos passaram para  categoria de infames, mal educados, grosseiros e atrevidos. Os assobios estão proibidos, as cantadas tornaram-se crime e não se sabe mais o que é um gracejo inocente, educado e gentil. As feministas de hoje não queimam mais sutiã, mas continuam ganhando menos que os homens e vencem o peso do stress na liderança com mais harmonia e trabalho em equipe.

Na contramão de tanta luta iniciada na década de 70 do século passado as mulheres se subjugaram pelo pouco dinheiro e fama instantânea, vendendo seu corpo em troca de propaganda de cerveja ou qualquer outro produto onde o que mais importa é mostrar os atributos do corpo e suas partes pudicas.

Na música o assunto não é diferente. As cantoras hoje, na sua maioria funqueiras e sertanejas, se utilizam dos mesmos artifícios de suas “primas” garotas da cerveja para vender a si própria e a música de pouca qualidade que fazem. Decotes, shorts curtos, vestidos justos e curtos, saias mostrando as pernas ou roupas transparentes fazem parte do guarda-roupa destas pseudo-artistas.

Aliás quando falo em música me pergunto o que aconteceu com as famosas e tradicionais modas de viola, daquelas que despertavam ou faziam o dia de nossos tios e primos do interior agrícola ou pecuário. Hoje o Sertanejo tornou-se Universitário ou Música Romântica e as violas foram acrescidas de guitarras, laser, percussão, teclados e outros instrumentos que deixaram os caipiras mais baixos do que pé de porco.

Outra personificação do mal gosto é o tal do Axé, que na verdade é a atualização mal feita do tradicional “Samba do Recôncavo”, cantado no interior da Bahia por várias tradições de pessoas do campo, da lavoura. As letras de má qualidade criaram ícones rarefeitos que são criados e trocados a toque de caixa.

O que aconteceu para tamanha falta de qualidade, bom gosto e nível educacional? O baixo nível da escola brasileira, do Oiapoque ao Chuí fez com que nossas crianças crescessem como massa de manobra bem inferior, abaixo do normal e por causa disso, aceitando toda e qualquer porcaria que os donos do consumo preparam e vomitam em nossas cabeças. Os novos tempos pedem adequações, mas algumas são difíceis de engolir.