O DIA QUE ALCKMIN ENGOLIU SECO

Geraldo Alckmin

O que passo a relatar ocorreu em Abril de 2001 e está para completar 14 anos. O acontecimento se deu entre uma pessoa e o Governador Geraldo Alckmin em Caraguatatuba, durante as comemorações de mais um Aniversário de Emancipação Político-Administrativa de nossa cidade num curto espaço de tempo e percurso, mas traduziu a desesperança do povo que está desacreditada com o Governo, seja em qualquer de seus níveis.

Era um dia de sol forte e muito calor para um mês de Abril em Caraguatatuba. As comemorações pelo Aniversário da cidade fervilhavam por toda a parte e a Prefeitura inaugurava uma escola com a presença do Chefe Maior de todos os Bandeirantes.

Inesperadamente todos se despedem do Governador e lhe viram as costas, restando apenas a pessoa e o Chefe do Executivo Paulista. Numa conversa rápida a pessoa e Geraldo trocam poucas, rápidas e decisivas palavras. Por ser ano pré-eleitoral a pessoa adverte o Governador que a oposição irá lhe arrancar o couro, criticando-o por ser incompetente, na versão deles, no trato com a Segurança Pública e que o Governador deveria tomar uma ação drástica para encerrar de vez com o problema chamado PCC – Primeiro Comando da Capital. Geraldo pergunta qual seria a ação drástica a ser tomada. A resposta balançou o ambiente.

A pessoa orienta e opina que o Governador deveria compor uma “Força Suicida”, composta por policiais ultra preparados e sem família, que deverão, no caso de cumprirem a missão, desaparecer por um período ou serem transferidos para um ponto distante contrário do qual se encontra no momento em serviço administrativo, ganhando além do salário um adicional pela missão que terão que cumprir. Estes policiais deverão se infiltrar nos presídios onde estão presos os líderes do PCC e num determinado dia e horário, todos deveriam ser executados ao mesmo tempo, deixando a quadrilha acéfala, sem comando e direção, monitorando os supostos segundo e terceiro escalão, levando-a extinção. Nessa hora, segundo a declarante, Geraldo Alckmin arregalou os olhos, engoliu em seco, bateu no ombro da pessoa, agradeceu, entrou no helicóptero e foi-se embora.

A medida nunca foi tomada, Geraldo sofreu com os ataques da Oposição e conquistou a reeleição.

Ações como essa de maneira alguma seriam feitas por causa da base ideológica do PSDB, que por tradição não favorece aos Servidores Públicos e muito menos apóia efetivamente o sistema policial paulista, categorias sempre apoiadas por partidos de Direita e da Ditadura Militar.

Extirpar uma comunidade criminosa às vistas do Direito não poderia ser feita desta maneira em momento algum, mas pergunto qual governo nunca tomou uma ação drástica em sua história para reverter situações como esta??? Quando não eram governos locais, eram países aliados ou inimigos que o faziam para o bem de seus interesses. Porque não fazê-lo em nome da Segurança Pública para o bem de seus cidadãos e contribuintes???

Grupos criminosos como o PCC, o CV – Comando Vermelho e outros tantos nasceram nas cadeias brasileiras durante a Ditadura Militar. Na época em que o generalato comandava a nação, havia o receio de que construir presídios poderia ser mal visto no que tange a parcerias, convênios ou acordos mundiais de investimento, desenvolvimento ou empréstimo bancário. Sendo assim, os inimigos do regime militar dividiam celas e alas com assaltantes, assassinos, estelionatários, batedores de carteira, traficantes e até bicheiros. Com isso os presos políticos tinham uma nova platéia de alunos para ensinar os velhos livros das comunas e os bandidos tinham um novo leque de conhecimento para usar no mundo do crime.

A partir daí nasceu o Crime Organizado no Brasil, que causa problemas até hoje e não tem data para terminar ou encerrar. Aproveitei o relato para discorrer sobre o problema da criminalidade e retificar que as pessoas buscam alternativas das mais variadas para ter segurança, paz e tranqüilidade em suas vidas, pois conviver com ladrão de residência, assaltante de banco, punguista e traficante já se tornou comum, mas ter conviver com o Crime Organizado seria demais. É preciso encerrar com este reinado do crime, com este terror desmedido, que força o renascimento da famosa Lei de Segurança Nacional, que antes combatia os inimigos da Ditadura e hoje enfrentaria os filhos e netos destes adversários.