O ser humano criou suas próprias regras, tradições e convenções e com o passar dos anos foi alterando-as, seja por imposição, modernização, evolução, por discórdia ou até por um simples teste. As alterações são efetuadas pela simples vontade do homem e como parte da interação com o seu grupo e os demais na Sociedade Civil Organizada. Ruim é quando as alterações vem de problemas monetários, da consequência do Dinheiro na vida do ser humano.

Jornalista é um ser que comumente sofre de um tipo diferente de Alzheimer, pois está sempre lembrando do passado mas nunca esquece do presente e está sempre de olho no futuro. Foi nesta época do ano, redigindo e apurando textos como o do Reforço da Polícia Militar, Previsão do Tempo para o Verão e as movimentações tradicionais para o período é que veio uma chama de lembrança, dos velhos tempos em que a Temporada de Verão era outra, de outra maneira.

Este texto será melhor aproveitado por quem nasceu nas décadas de 60 e 70 do século passado, quando a magia da Temporada de Verão era outra e atualmente, por causa da força do Dinheiro, mudou radicalmente. Reitero que este é um texto saudosista entre várias matérias de cunho Político e de Cotidiano que este Blog publica diariamente.

Lembro bem dos tempos de juventude, quando esperávamos avidamente pela Temporada de Verão, quando encontraríamos toda a turma, espalhada por diversas cidades e localidades. Era um período empolgante, mágico, de muitas alegrias e emoções. O período era sempre o mesmo; do dia 27 de dezembro até o domingo seguinte a quarta-feira de cinzas, após o final do Carnaval.

Nesta época o Natal era fraco e vazio, pois as famílias passavam com os seus, na véspera com a família do pai e no dia de Natal com a família da mãe ou vice-versa. O Ano Novo era movimentado, cidade cheia, do tempo que faltava água mas não faltava sol, calor e cerveja.

Esta época era marcada pelas famílias que alugavam casas durante 30 dias ou faziam reservas de hotel para 10 dias. Tempo de férias era época de colocar as cadeiras na calçada, na porta da casa, alugada ou não e ficar jogando conversa fora até bem tarde da noite. Quantas paqueras começaram, quantos amores não frutificaram e em casamento finalizaram naquela década, quando as moças ficavam junto aos seus familiares e os rapazes, de carro, moto ou bicicleta, passavam e passavam em frente por várias vezes. Aliás é sempre bom lembrar que esta época foi marcada pelo seguinte ditado: “Amor de Praia não sobe Serra!!!”.

As paixões de Verão tinham prazo para começar e terminar. Em média uma conquista levava em torno de dois dias e o término era o dia que a moça ou o rapaz fosse embora para sua cidade de origem. O ponto de encontro era a praça do centro e os bares neste perímetro ficavam lotados. Como os períodos em Caraguá eram longos, o costume era o marido deixar esposa e filhos na praia, de domingo à noite até sexta-feira, enquanto ele subia para trabalhar. Nesta época o Parque do Trombini ficou famoso, por abrigar a maior quantidade por metro quadrado/semana de esposas com intenções de um caso extraconjugal.

Carnaval de rua apenas em São Sebastião, no restante eram os bailes de salão onde a interação era mais próxima e a aproximação, fulminante. Havia desfile de pequenas escolas e muitos blocos, entre eles o das Piranhas e o Sigura Meu Louro, que elegia sua rainha em grande estilo, com direito a festa em torno da piscina na casa de seu idealizador, Flávio Huttner Borges.

Quem não se lembra que as viagens ao Litoral Norte tinham que ser divididas com gêneros alimentícios no porta mala do carro além das malas e dos ocupantes do carro que vinham ávidos por férias, descanso, praia, emoção e muita tranquilidade. Isso ocorria pelo fato dos preços praticados pelos supermercados na região eram aviltantes e diferentes dos cobrados na capital ou em São José dos Campos.

Mas o tempo, ou melhor, o Dinheiro mudou tudo ao longo dos anos. Os períodos de hotel não passam de cinco dias, o aluguel das casas de temporada é de no máximo, 10 dias e quando isso acontece é porque o número de pessoas na residência ultrapassa o bom senso de uma estada com conforto e privacidade, pois os custos ficaram exorbitantes. Os amores hoje não apenas sobem a serra, eles já vem arrumados do planalto. O footing, o flerte da paquera foi trocado pelas Redes Sociais e quando um casal se encontra, muito já falaram por longas horas e dias através dos diversos aplicativos existentes. Os bares continuam, porém vieram as Casas Noturnas, Danceterias e Restaurantes que reúnem as pessoas não apenas para beber, mas também para degustar iguarias.

Atualmente comprar pelo Supermercado ficou melhor quanto aos preços e os produtos, encontrados tanto no Litoral quanto em qualquer parte do mundo, ficando esta antiga prática apenas para produtos e itens para lá de exclusivos e especiais.

As conquistas do passado que levavam dois dias e que carícias mais ousadas eram festejadas como título de campeão da temporada, hoje se traduzem mais em quantidade do que qualidade, com os “ficantes” conquistando cinco, seis, até oito, sejam mulheres ou homens. Ah!!! nesta época não haviam motéis e as praias ou edículas eram o principal ninho de amor dos jovens e a Polícia Militar tinha muito trabalho em pedir aos casais que se recompusessem e voltassem para casa.

Este texto é mais um clamor saudosista do que uma crítica aos tempos de hoje, se bem que o passado era bem mais gostoso com certeza, de tempos que não voltam mais e ficarão eternamente marcados na memória de quem viveu os tempos áureos de um período onde o dinheiro mais barato proporcionava mais diversão.

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