Entrevista – Sthênio Pierotti

 

 

O primeiro entrevistado do Blog Contra & Verso em 2018 é o ex-Presidente da ACE – Associação Comercial e Empresarial de Caraguatatuba, Sthênio Pierotti, hoje com 61 anos e frequentador da cidade desde 1962. Comerciante há 40 anos está em definitivo em Caraguatatuba desde 2001 e no comércio da cidade desde 2011, ocupando antes cargo numa renomada loja de automóveis. Participa da ACE desde 2006 e neste período foi vice-presidente por três gestões, até ocupar o cargo mais alto em 2016. Na entrevista Sthênio critica o Individualismo da Sociedade e a velha mania de proteger os interesses próprios em detrimento da coletividade.

 

Contra & Verso – Como o Sr. Recebeu a ACE em 2016?

Sthênio Pierotti – Organizada, com contas em dia, com caixa no azul. O maior problema foi a crise de 2015 com queda de caixa e receita, o que ocasionou mais gastos com menos receita, além de muita inadimplência. Os pilares da entidade são a Certificação Digital e o SCPC, que com a falta de consultas resultou em diminuição da receita.

 

Contra & Verso – O que foi feito para resolver estas questões?

Sthênio Pierotti – Foram feitos cortes nos investimentos, na publicidade, no patrocínio de eventos por um ano. Cortei funcionários e fiz acertos com os devedores da ACE. Em oito meses empatei Receita x Despesa. Posteriormente surgiu o caso da nossa área social, que seria devolvida à Prefeitura na gestão passada. Começamos então a fazer alto para continuarmos de posse do terreno num prazo menor por pressão da Prefeitura. O bom de tudo é que entregamos a sede aos nossos associados e com o caixa em ordem. Atualmente temos mais Receita do que Despesa com crescimento de patrimônio e a sede social.

 

C & V – Me dê os números comparativos da ACE da gestão anterior e da sua gestão.

SP – Eram 14 funcionários e hoje são nove. Os números do caixa são favoráveis e prefiro dizer que estão a disposição dos associados na sede da entidade. Eram 1.280 sócios e atualmente 986, sendo que destes, aproximadamente 400 são comerciantes e o restante são pessoas físicas, autônomos que são e estão vinculados ao comércio.

 

C & V – Quais foram os principais trabalhos na sua gestão?

SP – A Sede Social no Santa Marina, feita em tempo recorde, com recurso próprio e sem ajuda externa, com custo final em torno de r$ 300 mil.

 

C & V – Se por um lado a Sede Social foi a maior obra, reclama-se que a ACE perdeu o seu lado social através de vários eventos. O que houve?

SP – Quando estive na Presidência muito dos eventos, Premiação com Carro, Miss Comércio, etc… já não existiam mais. Num momento de crise estes eventos não eram mais prioritários e tive que escolher arrumar a casa ou me afundar na crise, que se arrastava na cidade, na região e em todo o país. Hoje todos estão em crescimento e se o próximo Presidente quiser poderá voltar a fazer.

 

C & V – A que você deve a queda no número de Associados?

SP – Questão de qualidade. Não adianta ter o sócio, gerar boleto se ele não paga. Devido a isso cortamos vários. Hoje toda a minha carteira paga, ressaltando que consegui cerca de 140 novos associados na minha gestão.

 

C & V – Esta inadimplência era fruto da crise ou pela de contrapartida da ACE?

SP – Tenho os números. Existem os descontentes mas são poucos, muito poucos.

 

C & V – Qual o maior problema da ACE na defesa dos Associados?

SP – O próprio sócios que não está junto conosco. Não existe união. Quando há um problema em determinado segmento apenas os integrantes deste segmento reclamam, quando na verdade todos deveriam se unir e reclamar, lutar por melhorias, pois isso afeta a todos de forma direta e indireta. A Sociedade deveria se unir num bem comum. Temos que lutar pelo fim do Individualismo.

 

C & V – O que faltou fazer na sua gestão?

SP – Queria juntar a AHP – Associação dos Hotéis e Pousadas, a AQC – Associação dos Quiosques de Caraguatatuba e os Bares e Restaurantes, unindo-os numa só entidade com a ACE, tornando-a mais forte. Tentei e não foi possível. Penso que todos juntos teríamos braços de vários segmentos, uma forma de união para fortalecer a ACE e os outros segmentos, para juntos brigarmos por um mesmo ideal.

 

C & V – Você finaliza a sua gestão e não conseguiu deixar o Turismo melhor pela entidade

SP – O Turismo é um fator a parte. Temos um Comtur e a ACE tem duas cadeiras. Fizemos um trabalho ativo visando melhorar, mas é aí que vem o problema, pois faltou união das forças. Na verdade cada segmento via apenas o seu lado, onde volta a criticar o individualismo, a ponto de cada segmento só estar presente quando o ramo dele era citado, discutido e votado. Fora isso não havia presença e faltava quórum. Faltou união e consenso. Esse é o principal problema.

 

C & V – Qual será o principal problema ou obstáculo da próxima gestão?

SP – Não vejo obstáculo. A ACE não tem problemas e o novo Presidente terá liberdade para agir no caminho que ele desejar traçar.

 

C & V – Hoje a ACE oferece algo palpável que atraia o comerciante?

SP – A ACE oferece muito. O comerciante quer custo benefício. Então para que me associar, para ele e a família pagar r$ 50,00/mês para ter Plano de Saúde ou obter desconto? A ACE não é um Clube de Vantagens ou Benefícios, a entidade tem por outra finalidade pois ela fortalecida faz o trabalho de consultoria, Certificação Digital, participa de eventos para trazer melhorias para a cidade e a categoria, cursos, luta pelo comerciante, é membro de uma Federação, dentre outros, fato esse que o comerciante não vê, observando apenas o que é de imediato. Brigamos por esclarecimento, conhecimento e uma melhor vida empresarial. Não somos assistencialistas. Esta é a nossa maior dificuldade. Nossa adesão é baixa em relação a eventos em torno de 10 a 15%. Acredito seja esse o maior desafio da próxima gestão, o de conscientizar o bem coletivo.

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