* Sérgio de Paula
Não, não, não.
Um poema não é assim não, seu moço
Só pondo as frases de carreirinha…
Primeiro ocê abre o desgosto
E pinça, do escuro do poço,
O que é o meado da linha.
Difere de outras pescagens…
No mar, das suas passagens,
Peixe pescado é ocê.
Danei a falar bobage, ou
Tô me fazendo entendê?
Bão, com isso apetrechado
E já dado o passo primero
Arrume um céu sossegado
Debaixo de um arvorero.
E carca logo o começo.
Que ideia, num tem apreço,
Nem por poeta primero. …
Idéia voou? Caça os nim.
Voa feito os passarim
Pelo azul da imensidão
– Voa bem alto, sodade!
É só fazer a buscage
E óia a bichinha na mão.
Óia cana doce, catiça…
Um rosto, quase que santo
Numa menina de chita…
Invade um cheiro de mato.
Seu moço, é como um retrato
que passa na nossa vista.
Mas escolhida a sodade
E feito um primero verso,
O moço tenha a bondade,
Tem que fazer o que é certo!
Acasala a ideia c’oa rima
Feito menino e menina
Tendo o cupido por perto.
Acasalou? Pois ta feito.
As vezes fica um defeito
Não se preocupe: é moderno.
Como essa guitarreria
Nas modas de cantoria.
Não é o som dos infernos?
Depois é seguir adiante,
mascando a paia do pito
E num parar de rampante,
feito medragem de bicho.
Tem que parar com sentido:
Doce, terno, brilhante.
Não bula de comprimido
Mas como carta pra amante…
Tem que acabar com juízo.
Depois o moço faz nada,
Só toma um banho de cheiro,
Passa um pente no cabelo
E vá declamar pra amada.
Sentir o pulsar do seu seio.
Ouvir seu coração em revoada…
Porque assoprar poema, seu moço,
No ouvido de quem a gente põe gosto
É como assoprar uma brasa…
* Sérgio de Paula é Decano no Jornalismo, tanto na região de Campinas como no Vale do Paraíba, Litoral Norte e Capital, com extensas e memoráveis passagens por Veículos e Assessorias de Imprensa em Prefeituras e na Assembleia Legislativa de SP. Em Caraguá trabalhou na Prefeitura e foi Editor da extinta Metáfora. A sua coluna terá assuntos variados que ampliam o conhecimento e forçam o debate.