QUAL O BISPO IDEAL PARA O LITORAL NORTE?

Bispo Chacorowski 2

Uma empresa ou instituição escolhe o seu dirigente mediante a identidade, o estilo, a maneira de agir, modo de gerenciar. Algumas escolhas são feitas para manter e seguir um padrão tradicionalmente existente, como por exemplo as Forças Armadas e noutros, as escolhas são feitas mediante a indicação do povo, com base no voto, como por exemplo os cargos públicos eleitos mediante o voto direto nas urnas.

Na Igreja Católica o estilo não é diferente. Com base nos preceitos de Roma e espalhado pelos quatro cantos do mundo a ideologia da Igreja Católica está presente em quase todos os países e nas suas principais regiões. Se analisarmos do ponto de vista militar, cada igreja é um quartel, um posto avançado longe do Comando Central.

As representações da igreja diferem pelo tamanho e importância, do maior para o menor. Enquanto o Arcebispo Primaz responde diretamente a Roma e têm os outros Bispos e Arcebispos como seus subalternos, os Arcebispos tem controle sob uma região e um número razoável de Bispos sob seu comando e estes, por conseguinte tem diversos padres sob a sua batuta.

Muito bem, já definimos a hierarquia eclesiástica, porém o assunto é outro. A escolha de um Bispo para uma determinada região obedece algum critério??? Continuando uma análise sobre o relacionamento entre a Igreja e o povo, podemos ver que e igreja escolhe seus bispos para uma determinada região e é nesse ponto que pergunto: Um Bispo deve ser escolhido mediante a região ou apenas para cuidar da igreja, de manter os preceitos religiosos???

Eu explico. O Bispo da região do ABCD tem base sindicalista e conhecimento da vida operária. O Arcebispo de Brasília ou até o Primaz do Brasil, tem mais experiência na discussão de assuntos políticos. O religioso no Vale do Jequitinhonha tem ensinamentos na área social e nas maneiras de resolver a pobreza na região mais miserável do Brasil. Não consigo imaginar um Bispo em Juazeiro que não conheça a vida de Padre Cícero ou de um Bispo nos Pampas Gaúchos que não seja mestre nas Tradições do Sul. Quero deixar claro neste texto que a intenção é a de explanar sobre qual seria o Bispo ideal para a região e nunca, de maneira alguma, criticar o atual Bispo da Diocese de Caraguatatuba, Don José Carlos Chacorowski.

A Diocese de Caraguatatuba tem 16 anos de idade, 32 padres, 7 diáconos, 8 congregações, 17 paróquias; sendo 7 em Caraguá, 5 em Ubatuba, 4 em São Sebastião e 1 em Ilhabela.  A Diocese tem também 2 padres e 2 diáconos fora da Diocese e o Seminário Beato José de Anchieta. A Diocese teve início com Don Fernando Mason, que teve a função de desbravador, de percussor, de um “iniciador”, pois a população convivia com Bispos a distância, quando o Litoral Norte pertencia a Diocese de Taubaté e depois a Diocese de Santos e não conhecia o que era o dia-a-dia com um Bispo as portas de sua casa. Mesmo não querendo de início a função, conforme sua declaração na época, Mason deu o start necessário para instalar a Diocese.

Dom Fernando Mason 01

Em seguida a região recebia Don Antonio Carlos Altieri que tinha uma vertente educadora, pois era um Bispo Educador. Don Altieri tem um passado brilhante na área da Educação na PUCCAMP – Pontifícia Universidade Católica de Campinas e trouxe essa linha de ação para o seu Bispado no Litoral Norte. Convênios foram feitos, parcerias foram assinadas e a Educação foi o grande mote de Don Altieri no comando da igreja na região.

Designado para Passo Fundo por ordem do Santo Padre, o Litoral Norte fica sem Bispo e recebe tempos depois, Don José Carlos Chacorowski, que na primeira entrevista coletiva se auto intitulou “um Bispo Evangelizador”, pois não era nem político e muito menos educador. Don Chacorowski vinha de São Luís do Maranhão e chegou a participar da evangelização dos motoristas de caminhão, uma espécie de “Rodo Evangelização”, para aqueles que levam mercadorias e cargas de ponta a ponta do Brasil.

Definida a hierarquia eclesiástica e o histórico dos últimos três comandantes de nossas paróquias fica uma dúvida no ar: Qual a principal identidade do Litoral Norte perante a Igreja Católica??? É certo que temos uma sociedade de poucos comerciantes e alguns abastados e uma maioria que vai das classes C até D. Vivemos a beira-mar, numa Estância Balneária, que tem o Turismo como principal fonte de renda. O nosso nível de politização é mediano, porém o engajamento dos moradores vai do fraco para o ruim. No Litoral Norte temos equipamentos de Petróleo e Gás de última geração que garantem um certo fôlego financeiro. Nesse caldeirão de misturas o que deve ser escolhido como prato principal???

O que podemos conjecturar com este texto??? Que o próximo Bispo será um religioso com conhecimentos no Turismo e Marketing Turístico? Um religioso que entenda de Pesca e da vida dos homens do mar? Um político de batina e cajado conhecedor de cidades com mais de 100 mil habitantes? Um líder religioso que estudou sobre Petróleo e Gás e sindicalismo? Existe a probabilidade do Vaticano não dar a mínima pelota para a identidade de nossa região e enviar, sempre que o cargo vagar, um Bispo que a eles convier ou que tenha única e exclusiva tarefa de cuidar dos preceitos da igreja e de manter o seu rebanho forte e unido.

O tempo é o senhor da razão e o destino dirá qual caminho será tomado.

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