Seu dedo virou sua senha: como a biometria mudou as eleições

* Marcio Luis

 

Fala pessoal, como estão? Espero que todos bem.

Você já usou sua impressão digital para desbloquear o celular, acessar o banco ou entrar em algum aplicativo? Aquilo que parece uma tecnologia comum no nosso dia a dia também faz parte de um dos processos mais importantes do país: as eleições.

A biometria começou a ser utilizada pela Justiça Eleitoral em 2008 e foi sendo ampliada ao longo dos anos. Nas Eleições 2026, a identificação biométrica está prevista para todas as seções eleitorais.

Mas o que acontece quando colocamos o dedo no leitor?

A tecnologia compara a impressão digital apresentada pelo eleitor com os dados biométricos registrados no cadastro eleitoral. O objetivo é confirmar a identidade da pessoa antes que ela tenha acesso à votação.

E aqui está um ponto importante: a biometria identifica o eleitor, não o voto.

A impressão digital não informa em quem a pessoa votou. Primeiro acontece a identificação. Depois, o eleitor realiza suas escolhas na urna, preservando o sigilo do voto.

É semelhante ao uso da biometria em um smartphone. A diferença é que, nas eleições, essa tecnologia faz parte de um processo muito maior, envolvendo cadastro eleitoral, equipamentos, sistemas, mesários, procedimentos de segurança e auditoria.

Mas e se a digital não for reconhecida?

Isso pode acontecer. Uma impressão digital pode não ser lida corretamente por diversos motivos. Por isso, existem novas tentativas e procedimentos complementares de identificação. Uma falha na leitura biométrica não significa automaticamente que o eleitor ficará impedido de votar.

A grande vantagem da biometria é acrescentar uma característica física ao processo de identificação. Em vez de depender somente de informações como nome, número ou documento, existe também uma característica do próprio indivíduo sendo utilizada para confirmar sua identidade.

Mas toda tecnologia traz responsabilidades.

Dados biométricos são informações que precisam ser protegidas. Diferentemente de uma senha, uma impressão digital não pode simplesmente ser trocada caso seja comprometida. Por isso, segurança e privacidade são questões fundamentais quando falamos sobre sistemas que trabalham com esse tipo de informação.

A biometria também mostra como a urna eletrônica vem evoluindo.

A evolução não acontece apenas com processadores mais rápidos ou equipamentos novos. Ela também acontece quando a tecnologia consegue tornar o processo mais seguro, acessível e simples para quem está utilizando.

Hoje, milhões de brasileiros já convivem naturalmente com a biometria em celulares, bancos e outros serviços. Nas eleições, ela se tornou mais uma camada dentro de uma arquitetura tecnológica criada para proteger a identificação do eleitor e o funcionamento do processo eleitoral.

No final, a tecnologia é apenas uma ferramenta.

O mais importante é como ela é utilizada, protegida, testada e integrada aos demais procedimentos.

E a evolução não para por aqui.

Na próxima e última parte da série, vamos olhar para o futuro: inteligência artificial, acessibilidade, análise de dados e a próxima geração da urna eletrônica.

Até mais!

 

*Marcio Luis – Engenheiro de Computação com MBA em Gestão de Energias e Data Science e pós-graduado em Segurança da Informação, com mais de 20 anos de experiência atuando nas áreas de Governança em TIC, Gestão e Implantação de Infraestrutura de Dados, Voz e Segurança. Como Web designer também possuo experiência de mais de 17 anos, com projetos diversos desenvolvidos para pequenas e grandes empresas. Responsável técnico do Site Contra e Verso e outros por aí. Pai de 3 e marido, que ama o que faz e que tem na tecnologia uma enorme paixão.

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