Verso Molhado

*Por Beá Moreira

 

Os dias chuvosos são mais delicados…
Os sonhos acordam, sisudos, zangados…

O pensamento, mais úmido,
fica mais pegajoso…
As palavras escorregadias,
Que às vezes, é até perigoso!

Elas escorrem da mão,
soberbas, cheias de orgulho!
Se esparramam por todo chão,
Quebrando e fazendo barulho.
E então, eu vou juntando,
os cacos da minha poesia.
Recolho os pedaços que faltam,
No meio da chuva fria!
Percebo versos que fogem,

Saltando pela gelosia!
Sei que vou persegui-los
Durante todo meu dia!
Procuro em vão uma estrofe,
Mas ela já se escondeu.
Foi parar n’alguma carta,
Num bilhete que alguém leu!
E aqui, fica a lembrança,
E essa grande confusão,
As minhas poesias, molhadas
De lágrimas, e solidão!

Quisera correr na chuva,
segurando sua mão!
Ser caudalosa enxurrada,
Ser poça d’água, no chão!
Mas, nos olhos corre a vida!
Vejo um verso aparecer!
Numa lágrima, escondida,
Que aparece, sem querer.
E a minha saudade, bandida,
Que andava distante, banida,
Não pára mais de chover!

 

 

*Beá Moreira é Cientista Social e comenta sobre o cotidiano e suas nuances, de forma variada, poética, descontraída e despretensiosa, buscando fazer do leitor de qualquer idade, um companheiro de bate-papo.

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