*Por Stefan Massinger

 

Só as duas palavras na mesma linha geram normalmente bastante polêmica. Mas nesta coluna, vai se concentrar nos fatos da vinicultura e não entrar na discussão sobre vinho sendo permitido em diversas religiões ou não. Em 1.800 A.C. estão documentados os primeiros escritos sobre vinhos. Uma das obras literárias mais antigas da humanidade, o Gilgamesh (uma série de poemas e lendas sumérias compiladas por volta do século VII a.C.), tem um trecho, a tábua 10, que trata da fabricação do vinho. O primeiro livro da Bíblia, o Gênesis, conta que Noé se tornou lavrador e plantou um vinhedo.

O Talmude, livro sagrado dos Judeus, também fala sobre vinho. Até hoje vários rituais judeus, como o inicio do Sabbat começam com uma boa taça de vinho. Em 404 A.C. na época dos antigos gregos acontece a estreia das bacantes. Uma das peças de teatro mais famosas sobre o deus Baco, ou Dionísio, as Bacantes foi escrita pelo teatrólogo grego Eurípides e teve estreia póstuma (o autor morreu um ano antes). A obra trata da vingança de Dionísio ao ser rejeitado por sua família humana (ele é filho de Zeus com uma mulher). Também é a primeira obra que relaciona o deus diretamente ao vinho. Quem quer saber mais sobre Dioniso, pode procurar no meu podcast “A Magia do Vinho” disponível em várias plataformas de podcasts como por exemplo spotify.

Interessante na discussão é o fato, que em 1048 Omar Khayyam, o escritor do “Rubaiyat” sendo muçulmano escreveu detalhadamente sobre vinho. Apesar de os preceitos islâmicos proibirem o vinho, alguns árabes se “rebelaram”, como Omar Khayyam. Ele foi um dos maiores cientistas de sua época, capaz de elaborar um calendário muito mais preciso do que o gregoriano. Porém, para o mundo do vinho, sua grande contribuição foi a obra Rubaiyat, uma longa série de quartetos em homenagem à bebida. E até hoje temos vinhos em países, dominante de religiões menos favoráveis à bebida como Líbano, Marrocos entre outros.

Já em 1112 Monges Cistercienses tem um papel fundamental na vinicultura. Bernardo de Fontaine funda a ordem que revolucionou os vinhedos da Borgonha, os Monges Cistercienses. Seus discípulos eram jovens e devotos ao trabalho árduo, tanto que a expectativa de vida era de 28 anos. Eles se dedicaram à vitivinicultura desde a fundação, após terem recebido o primeiro vinhedo em Meursault. Acredita-se que eles foram os primeiros a plantar Chardonnay em Chablis. Eles também estabeleceram o conceito de Cru.

1308 é o ano do nascimento de Châteauneuf-du-Pape. O famoso vinho, que até hoje está produzido em garrafas com o símbolo do papa e cuja porcentagem dos até 13 uvas usadas é sigilosa. O papa Clemente V, influenciado pelo rei da França, levou a sede do papado para Avignon. Os soberanos católicos ficaram lá por 70 anos e os vinhedos em torno de sua nova sede, chamada Châteauneuf-du-Pape, deram origem a um vinho famoso até os nossos dias. Clemente ainda seria homenageado com um vinhedo em Bordeaux, onde hoje está o Château Pape Clement.

Um outro monge católico entrou na marca histórica do vinho em 1668. Dom Pérignon é nomeado tesoureiro da abadia de Hautvillers em 1668. O monge era um perfeccionista e, para gerar mais renda com o vinho, aprimorou a produção criando inúmeras regras com o intuito de dar mais qualidade ao produto. Apesar do sucesso da efervescência do Champagne, Pérignon, na verdade, queria evitar as borbulhas. Ainda assim, por ter introduzido as normas de cultivo e vinificação (sintetizadas em 1718), é tido como pai de Champagne.

Depois de ter tomada a primeira garrafa de Champagne, reza a lenda, ele exclamou a famosa frase “Venham rápido irmãos, estou bebendo estrelas!”

 

 

* Stefan Massinger é embaixador do grupo Wine, o maior e-commerce de vinhos da América Latina, administra um curso on-line, um podcast e é consultor independente de negócios.

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