* Por Stefan Massinger

 

A consolidação do catolicismo e, consequentemente, do uso do vinho na comunhão, também contribuiu para manter as vinícolas trabalhando a todo vapor durante a Idade Média. Um fato, que é também responsável para o crescimento da vinicultura no América do Sul. Vinho foi plantado para ter a bebida nas missas católicas. Assim principalmente ordens como os Jesuítas entre outras foram responsável para a plantação do vinho nos nossos países vizinhos e também no próprio Brasil, no vale do São Francisco. Na França, mais uma vez, a situação foi especialmente favorável por vários fatores:

No século XII, foi fundada na região da Borgonha a ordem dos monges cistercienses, adeptos ferrenhos da vinicultura e conhecidos por terem trazido as primeiras mudas de Chardonnay para Chablis, hoje principal região produtora do vinho branco feito com aquela uva.

Na mesma época, a região de Bordeaux conhece um desenvolvimento significativo na produção de vinho, tornando-se, após o casamento do rei inglês Henrique II com a viúva do Rei da França, Leonor de Aquitânia, principal fornecedora da bebida para a Inglaterra. E apesar de não produzir vinho em quantidades significativas, Inglaterra sempre foi um grande consumidor de vinhos – tanto os nobres, quanto também gradativamente o povo inglês, que costumava tomar cidra e hidromel, mas logo trocou estas bebidas para um vinho do outro lado do canal da mancha.

No século XIV, com a transferência da sede da Igreja Católica para a cidade de Avignon, na época onde teve 2 papas, um deles no sul da França, o cultivo das uvas cresceu ainda mais no país. Porquê além da necessidade de ter vinho nas missas católicas, os próprios monges, padres, bispos e abades gostavam de tomar vinho e cerveja em quantidades significativas. Um argumento foi a higiene, mencionado anteriormente e o outro com certeza o efeito de relaxamento e sensação de alta espiritualidade.

Por exemplo no final do século XVI, o espumante foi descoberto acidentalmente em um mosteiro na França por Dom Pérignon. Nomem est omen – até hoje uma marca famosíssima de champanhe de excelente qualidade.  Aconteceu a segunda fermentação, que deixe a bebida com os borbulhas, que quando sentiu na língua – deixou o Dom Pierre Perignon olhar para o céu, gritando – “Meus irmãos, estou bebendo estrelas! ”

Com o tempo, o hábito de manter um lugar no porão reservado para o armazenamento dos vinhos, assim como a produção nos castelos também foi crescendo pelo Velho Mundo, principalmente pelas regiões em que o clima era mais favorável ao cultivo, como Espanha, Portugal, Itália e o sudoeste da Alemanha. – Podemos imaginar, que cada castelo, monastério, e fazenda maior teve sua produção de vinho. Um fato, que contribui até hoje no tamanho dos produtores. Europa está cheio de cooperativos, associações de produtores com áreas menores, comparando com áreas produtivas nos Estados Unidos e América do Sul.

E com toda esta evolução da vinicultura na idade média – o que aconteceu com o vinho grego? Mais uma vez, o fator determinante na vinicultura em uma região está a religião. Que na Grécia se tornou em quase uma extinção da produção do vinho. O grande abalo aconteceu com o domínio otomano, a partir do século XIV. Como continuação do poderio de Roma, o Império Bizantino vinha tomando conta do mundo grego há quase um milênio (desde o século V) quando se transformou em Império Otomano, em 1299. E como a religião muçulmano não permite o consumo de álcool, a produção de destilados e vinhos se tornou numa produção clandestino com baixas quantidades.

 

* Stefan Massinger é embaixador do grupo Wine, o maior e-commerce de vinhos da América Latina, administra um curso on-line, um podcast e é consultor independente de negócios.

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