(Continuação da coluna anterior)
* Marcio Luis
Ciclo de Transparência.
Para as Eleições 2026, esse processo começou ainda em 2025.
Isso permite que especialistas analisem os sistemas e procurem possíveis problemas antes da realização da eleição.
Em 2026, por exemplo, representantes da Sociedade Brasileira de Computação participaram de uma inspeção dos códigos-fonte e também acompanharam a abertura de uma urna para conhecer seus componentes e mecanismos internos.
E se alguém encontrar uma falha?
É justamente para isso que existe o Teste Público de Segurança da Urna.
A ideia é bastante simples: permitir que especialistas tentem encontrar vulnerabilidades nos sistemas eleitorais.
É parecido com contratar alguém para tentar encontrar uma maneira de entrar em sua casa para descobrir onde estão os pontos fracos.
Se uma vulnerabilidade for encontrada, ela pode ser analisada, corrigida e posteriormente testada novamente.
O TSE realiza esse processo antes das eleições justamente para que eventuais problemas identificados possam ser tratados antes da votação.
Nas Eleições 2026, segundo o TSE, os testes realizados anteriormente passaram por uma etapa de confirmação e nenhum dos achados analisados comprometeu o sigilo ou a integridade do voto.
O que é assinatura digital?
Outro conceito importante é a assinatura digital.
Ela não é uma assinatura feita à mão. É um mecanismo matemático utilizado para verificar a autenticidade e a integridade de arquivos e programas.
Imagine receber um documento importante e precisar confirmar se ele realmente veio de quem deveria enviá-lo e se não foi alterado.
A assinatura digital ajuda justamente nessa verificação.
Nos sistemas eleitorais, ela faz parte dos mecanismos utilizados para garantir que os softwares executados sejam aqueles oficialmente preparados e autorizados.
E quando o eleitor aperta CONFIRMA?
Depois de todos esses processos, chega o momento da votação.
O eleitor escolhe seus candidatos, confere as informações apresentadas na tela e confirma.
O voto é então registrado eletronicamente.
Essa automação também trouxe uma grande mudança em relação ao passado.
Antes da urna eletrônica, o processo dependia de cédulas de papel e de diversas etapas manuais de apuração.
A tecnologia permitiu automatizar grande parte desse trabalho, tornando a apuração muito mais rápida.
Segurança também significa fiscalização
Talvez um dos pontos mais importantes seja entender que segurança e transparência podem andar juntas.
Um sistema seguro não precisa necessariamente ser um sistema secreto.
Por isso existem mecanismos de fiscalização, auditoria, inspeção dos códigos-fonte e testes realizados por especialistas.
A ideia é criar diferentes oportunidades para verificar se os sistemas estão funcionando conforme deveriam.
Esse conceito não vale apenas para eleições.
Bancos, hospitais, empresas, aeroportos e órgãos públicos também precisam trabalhar dessa maneira quando utilizam sistemas críticos.
30 anos de evolução
A urna de hoje não é a mesma tecnologia utilizada em 1996.
Ao longo de três décadas, equipamentos, softwares, mecanismos de segurança e recursos de acessibilidade evoluíram.
Isso mostra uma característica fundamental da tecnologia: ela nunca está realmente pronta.
Sistemas importantes precisam ser constantemente avaliados, atualizados e aprimorados.
E talvez essa seja a principal lição que podemos tirar da história da urna eletrônica.
Tecnologia não é apenas hardware ou software.
É a combinação de equipamentos, programas, pessoas, processos, segurança, testes e fiscalização.
Aquela pequena máquina diante do eleitor representa uma estrutura tecnológica muito maior do que parece.
E, quando apertamos o botão CONFIRMA, estamos utilizando o resultado de 30 anos de evolução tecnológica aplicada a uma das tarefas mais importantes de uma democracia: registrar a escolha do cidadão.
Na próxima parte da série, vamos descobrir o que existe por trás dessa estrutura para proteger os sistemas eleitorais contra ameaças digitais.
Até mais!
*Marcio Luis – Engenheiro de Computação com MBA em Gestão de Energias e Data Science e pós-graduado em Segurança da Informação, com mais de 20 anos de experiência atuando nas áreas de Governança em TIC, Gestão e Implantação de Infraestrutura de Dados, Voz e Segurança. Como Web designer também possuo experiência de mais de 17 anos, com projetos diversos desenvolvidos para pequenas e grandes empresas. Responsável técnico do Site Contra e Verso e outros por aí. Pai de 3 e marido, que ama o que faz e que tem na tecnologia uma enorme paixão.