Disputa Política torna-se delação de Dívida da Prefeitura

 

 

 

A Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Caraguatatuba realizada na noite de ontem – terça-feira, 23 de Abril – prometia um grande embate político durante o horário da Tribuna dos Vereadores. A disputa política seria entre os Vereadores Fernando Cuiú e Aurimar Mansano, mas acabou tornando-se um jogo de indiretas. Sem querer

Aurimar acabou levando à tona problemas financeiros da Prefeitura.

Durante o período de campanha das Eleições Gerais de 2018 o Vereador Fernando Cuiú, na época Líder do Prefeito na Câmara, alardeou aos quatro cantos que o Deputado Caio França, filho do Governador interino Márcio França, ambos filiados ao PSB, que a Prefeitura receberia uma verba de R$ 200 mil para a reforma da UBS – Unidade Básica de Saúde – do Morro do Algodão, localizada na zona sul da cidade.

Difícil saber se a notícia surtiu efeito, mas Caio França conseguiu se reeleger, o pai perdeu para Governador e o Vereador manteve a hegemonia política no bairro. Sabe-se que esta informação atingiu em cheio o Vereador Aurimar Mansano, que tem naquela comunidade um grande reduto eleitoral, juntamente com o bairro do Barranco Alto. Sentindo-se ameaçado o Vereador buscou pesquisar sobre a verba e descobriu, através de um ofício que foi respondido em aproximadamente 24 horas que a reforma da UBS não utilizou de nenhuma outra verba que não fosse apenas dos cofres municipais.

Com a informação em mãos uma postagem repercutiu em muito nas Redes Sociais: O Vídeo de Cuiú anexado do ofício emitido e respondido ao Vereador Aurimar resultou numa grande manifestação por parte da população no dia da entrega da reforma da UBS, realizada há poucos dias. Sabe-se que foram vaias, apupos e críticas por parte da população que impediram o discurso de Cuiú, tido como o Vereador do bairro.

Sentindo-se prejudicado politicamente Cuiú quis saber junto a Caio França qual teria sido o motivo do não cumprimento da promessa. Pasmo, soube que a verba não chegou a Prefeitura pelo fato de haver dívida do Executivo, o que resultou na inscrição do Município no Cadin – Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Serviço Público – que pode ser Federal, Estadual ou Municipal. Com base nestes dados o Vereador prometeu dar nome aos bois durante a sessão de ontem.

Quando se esperava um áspero embate, uma disputa política pelo bairro do Morro do Algodão na Tribuna da Casa de Leis, o que se viu foi o Vereador Cuiú falando com indiretas e sem a presença de Aurimar, que atendia contribuintes no corredor de entrada do Parlamento. Procurado pela reportagem, Cuiú limitou-se a dizer que não citou o nome de Aurimar para não precisar dar direito de resposta, achando por bem apenas denunciar que a dívida do Executivo impede que outras verbas sejam enviadas e que o Vereador Aurimar teve benefícios ao ter um ofício respondido em 24 horas, quando o normal é levar 14 dias para isso pelo Servidor Alfredo Manzano, da Secretaria de Obras. Os valores da dívida não foram revelados, mas o Vereador prometeu informar em quatro dias.

O Blog Contra & Verso também procurou o Vereador Aurimar Mansano para falar sobre o assunto. Segundo o Parlamentar houve pedido de informações desde 2016, pois o Vereador Cuiú havia prometido e havia contradição quanto a vinda ou não dos valores. Ao mesmo tempo Aurimar achou estranho o envio da verba que não chegava e como Vereador, tinha o direito de esclarecer. Perguntado sobre a dívida com o Cadin alegou desconhecer o fato, porém argumenta que a suposta retenção pode ser uma artimanha para explicar a promessa não cumprida, citando outras verbas prometidas e não entregues, como o recapeamento da SP-55.

No caso da verba da reforma ser verídica o Vereador Aurimar teria repetido o velho ditado: “Atirou no que viu e acertou no que não viu!!!”, pois ao confirmar que a verba não foi entregue, teria descoberto um segredo que estava guardado a sete chaves no Executivo, que impede a entrada de verbas Parlamentares e valores relacionados a Convênios e Programas de Políticas Públicas. Se confirmado este foi o segundo erro político do Vereador ao longo de sua carreira de seis mandatos. O primeiro foi o de elaborar ação na justiça contra a Regularização Fundiária e não ter informado à Imprensa, quando o Executivo usou o fato como revés para prejudica-lo perante a Opinião Pública.

A reportagem também questionou a Comunicação da Prefeitura sobre o assunto e até o fechamento deste texto não houve resposta.

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