O Chef de Cozinha Roberto Ravioli esteve em Caraguatatuba no início de agosto para abrir a 14ª Edição do Caraguá a Gosto, evento gastronômico que visa impulsionar o Turismo na baixa temporada. Com direito a Coletiva de Imprensa, visita a uma escola municipal e aula show na Praça da Cultura, o Brasileiro, descendente que fala e escreve fluentemente em Italiano mostrou que cozinha com o coração, com as memórias afetivas de sua família.

O auge de sua carreira foi cozinhar para o Tenor Luciano Pavarotti em 1991, quando preparou o Gnocchi Dei Contandini – O Nhoque dos Camponeses – feito com uma mistura de Focaccia, ovos, parmesão, noz-moscada e manteira, com molho a base de cebolinha e manteiga, adicionado de feijões e tomates italianos. Na década de 80 abriu o Empório Ravioli, usando as antigas receitas de família, aprendidas com a mãe e a avó. O Mestre frisa o fato de cozinhar também para os corredores de Fórmula 1, onde os pratos são especiais, tanto quanto o cardápio como na dosagem de Proteína e Carbo-hidrato, principalmente para o finado Ayrton Senna, que era meticuloso quanto a esta questão.

Como todo bom Italiano, as mulheres tem presença garantida no seu universo, seja na memória, seja no profissional. “Toda mulher, principalmente a brasileira, é uma cozinheira nata, mesmo que não cozinhe diariamente e por vocês tenho o maior respeito e no meu próximo restaurante a minha equipe será totalmente feminina”, disse, esboçando um largo sorriso. Ao mesmo tempo chamou um dos jornalistas integrantes da Coletiva de preguiçoso, por não saber fazer um ovo sequer.

Para Ravioli o ato de cozinhar nasceu da necessidade de se alimentar e novamente cita a mulher como fator primordial, dizendo que elas são mais dedicadas, cuidadosas e centradas. Quanto aos homens elogiou os profissionais oriundos do Nordeste Brasileiro, por serem mais predestinados, por aguentarem a pressão mesmo sendo semianalfabetos, mas que tem uma ótima memória.

Quando o assunto é Memória Afetiva suas recordações são totalmente familiares e profissionais e nos fazem lembrar o cotidiano da Itália. Com muito carinho ele cita a mãe, principalmente quanto à Milanesa e a Batata Frita feita por ela. Imediatamente a pergunta muda para saber se a sua participação num evento como o Caraguá a Gosto é novidade na vida dele e de pronto responde que já participou de diversos Festivais do Camarão onde ele destaca, além do Camarão, o Palmito e os diversos Peixes encontrados em nosso litoral.

A nossa redação inquiriu o Mestre Culinário quanto a divulgação ou pouco conhecimento de pratos contendo Peixe na Culinária Italiana ditos e comentados pelas pessoas. Ravioli, quase que instantaneamente afirmou que a comida Italiana é variada e extensa quanto ao Peixe, citando a Sopa de Peixe, a Pasta de Fajoli, a Tripa Fiorentina, ressaltando na Calábria, mais precisamente em Napoli há o Camarão Azul, o Le Sarde e o Ouriço.

Outra questão abordada pela redação foi a diferença entre a Culinária Francesa e a Italiana, quando a primeira trabalha com pratos menores, como se fosse degustação, enquanto que a Italiana é mais bem servida, direcionada a família. Segundo Ravioli provavelmente a diferença vem dos molhos e temperos serem mais enjoativos, bem como com a criação da Nouvelle Cousine, a Culinária Italiana caminhou pela mesma linha. Ravioli finaliza a pergunta enfatizando a tradição Italiana. “O Italiano não come para viver, ele vive para comer, pois no café pensa no almoço e no almoço pensa na janta, além do fato que toda a interação familiar acontece dentro da cozinha”.

Ainda no quesito Memórias Afetivas o grande Mestre Italiano relata o tempo do pai caçador, onde após a caça eram feitos o Tortelli, Pombo, Marreco e Codorna e todos que lá comiam torciam para ganhar o prêmio, que era achar o chumbo que matou a caça, pois dava direito ao vencedor ganhar uma garrafa de vinho de seu pai. Quem pensa que este brasileiro Italianizado usa suas técnicas quando está nervoso ou estressado, engana-se. Segundo o Mestre quando o dia está ruim ele invade a geladeira e como tudo que lá encontrar.

Atualmente Ravioli está no elenco fixo do programa “É de Casa”, junto com Patrícia Poeta no quadro “Minha Mãe Cozinha melhor do que a Sua”, que estreou em 10 de agosto mas foi anunciado com antecedência e exclusividade na Entrevista Coletiva. Ravioli conta que ficou 15 anos com Ana Maria Braga e depois migrou para o É de Casa com o quadro “Toque do Ravioli”, onde fazia a quinta temporada, quando foi chamado ao Rio de Janeiro para receber a informação de que teria um quadro próprio, o que o deixou extremamente emocionado.

Para Ravioli um bom cozinheiro se mede por fazer bons pratos, bem feitos e em grande quantidade, se diz um amante de queijos, onde usa e abusa em seus pratos, que a televisão incentivou a função de Chef de Cozinha e que faria um Camarão ao Molho de Açafrão se participasse do Caraguá a Gosto. O Cachê do Mestre Italiano para abrir o evento gastronômico local foi de R$ 17 mil.

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