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A Escola Estadual Colônia dos Pescadores, localizada no bairro do Indaiá, em Caraguatatuba está sendo ocupada por alunos, líderes estudantis e membros da Apeoesp desde quinta-feira a noite – 26 de novembro. O motivo da ocupação é política e está relacionada com a Reorganização Escolar proposta pelo Governo Estadual, que nega qualquer ação no Litoral Norte. O caso gerou uma grande movimentação na cidade.

O movimento de alunos e sindicalistas tem como lideranças Luan Moreno – Juventude Socialista; Bárbara Paes – União dos Estudantes Secundaristas; Lucas Demétrio – Juventude Socialista e a Professora Perla – apoiadora da Apeoesp, além dos alunos e da UNE – União Nacional dos Estudantes e UEE – União Estadual dos Estudantes.

A ocupação se deu, pois os alunos alegam que haverá alterações no Ensino Médio e o fechamento das classes do EJA – Escola de Jovens e Adultos na unidade. Segundo as informações a Reorganização do Ensino no Estado de São Paulo está mantida pelo Governador Geraldo Alckmin para o próximo ano. No plano atual da Reorganização haverá modificação de algumas escolas da Região Metropolitana do Vale do Paraíba.

Informações truncadas, polêmica e bate-boca foram a tônica do fato que movimentou o meio estudantil local desde sexta-feira, quando o fato foi noticiado.

As primeiras informações davam conta de que a escola estava trancada com cadeados e que ninguém poderia entrar a não ser estudantes e líderes estudantis. Ao mesmo tempo pais de alunos repudiavam o movimento e tinham receio quanto a situação de seus filhos. Havia também a informação de que a unidade não oferecia aulas naquele dia e na FM local, o locutor do rádio jornal vociferava críticas contundentes quanto ao movimento, que foram repudiadas num clássico bate-boca desconexo que rendeu comentários posteriores e aumento na audiência.

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A reportagem do Contra & Verso foi até o local e constatou a situação em que se encontrava a ocupação. Uma viatura da Polícia Militar acompanhava tudo de longe e aguardava o desenrolar dos fatos para ver qual seria a sua atuação. Logo na entrada dois alunos de porte médio inquiriam e controlavam o portão de entrada, questionando e quase interrogando quem quer que fosse, perguntando sobre sua identidade, se queria entrar, qual o seu objetivo e se era pai de aluno. Encontrar os líderes foi fácil e qualquer entrevista, declaração ou constatação da situação sobre a ocupação deveria ser feita no pátio central, numa roda de bancos com todos os participantes juntos, falando sobre o acontecimento.

Os alunos declararam quase que em assembleia, que o motivo da ocupação vinha do fato da Secretaria Estadual da Educação ter como proposta alterar salas do Ensino Médio e encerrar as classes da EJA na unidade. Segundo os líderes mais de 150 alunos estão participando da ocupação e como forma de pressão contra a ocupação, tiveram a Merenda Escolar cancelada e campainha tocada há cada 30 minutos entre quinta a noite e sexta pela manhã. Os professores estavam na unidade mas não ministraram aulas e outra reclamação dos alunos vem do fato da direção da unidade não debater a situação com os alunos. Os alunos informam que ficarão na unidade até que a Secretaria Estadual da Educação dê uma resposta quanto as alegações da comissão de ocupação.

Assim como para com os alunos, a direção da Colônia dos Pescadores também não recebeu a reportagem do Contra & Verso, sob a alegação de que estava em reunião com o Conselho Tutelar. Quem prestou as informações necessárias foi a Vice-Diretora, a professora Ana Maria Ferraz Liebana, que desmentiu a Reorganização do Ensino no Litoral Norte e muito menos o fechamento de classes do EJA. Quanto a Merenda Escolar a Vice-Diretora argumentou que a empresa terceirizada que elabora e distribui o alimento diariamente não efetuou o serviço, tendo em vista que não existiam alunos da unidade no local. Com respeito a EJA a professora explica que as classes existentes ficam até o final e que por falta de demanda, novas classes não estão sendo abertas. A professora Liebana explicou também que foi criada a CEEJA – Centro Educacional da Escola de Jovens e Adultos, que funciona como Ensino a Distância, onde o adulto que deseja se formar faz a sua inscrição, recebe a sua apostila, estuda em casa e tem agendado datas para tirar dúvidas e realizar suas provas.

De acordo com a Dirigente Regional de Ensino, a professora Edina Paula Roma Teixeira, ela foi surpreendida com a ação dos alunos, desmentindo todas as reclamações e considerando que foi uma ação orquestrada pela Apeoesp e que no caso da EJA foi a falta de demanda que não abriu novas salas. Segundo a Assessoria de Comunicação da Secretaria Estadual de Educação, a Dirigente Regional de Ensino tentou uma negociação com o movimento sem êxito. Ao mesmo tempo informa que a reintegração de posse é feita pela PGE – Procuradoria Geral do Estado, que é acionada pela Dirigente Regional de Ensino e que por serem alunos menores de idade é necessária a participação do Conselho Tutelar. Como boa Assessoria que é, a Secretaria Estadual de Educação não soube informar, no final da tarde de sexta, se a PGE já havia sido acionada ou não, orientando esta reportagem para efetuar a ligação.

Pelas Redes Sociais é possível acompanhar o final de semana dos ocupantes da Escola Colônia dos Pescadores, onde se via a alimentação do grupo, testemunhos e demonstrações de lazer. Segundo Luan Moreno uma assembleia realizada na manhã desta segunda-feira resolveu pela manutenção da ocupação e pela protocolização de um documento pedindo esclarecimentos a respeito do fechamento das salas e uma prova de que não fecharão mais salas.

Há informações de que a caseira da Colônia dos Pescadores teve o cadeado de sua porta trocado e está impedida de receber visitas e transitar, podendo fazer isso mediante autorização do comando de ocupação, o que caracteriza Cárcere Privado. A Diretoria Regional de Ensino confirmou que pediu a PGE a Reintegração de Posse na sexta-feira, que está sendo feito pela Regional de Taubaté, e até o momento não haviam mais informações sobre o desenrolar deste fato.

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