Crítica Gastronômica 26

 

Localizado numa rua totalmente residencial no bairro do Ipiranga, com exceção de uma Padaria e uma Casa de Festas, o Bar do Sandro Veloso destaca-se nesse meio urbano mesmo com algumas reclamações. Criado contra a maré de todos os requisitos básicos de um comércio tradicional, este é um ponto de encontro de velhos e grandes amigos, em resumo; um Muquifo, mas com muito respeito e classe.

Instalado há cerca de 8 anos depois de um empreendimento mal sucedido, Sandro Veloso montou o seu boteco como forma de angariar mais fundos para o seu orçamento mensal e para esquecer tristes momentos de sua vida.

Definir o Bar do Sandro é simples, mas não se engane. O boteco é estreito e apertado, poluído de tantas caixas, fogão, churrasqueiras e outros equipamentos, geladeiras e sua decoração com motivos de Heavy Metal, além das motocicletas artesanais feitas com material de desmanche. É bom lembrar que o boteco não é comprido e quaisquer 15 passos você andou por toda a sua extensão, indo da porta até os banheiros.

Mas não se impressione com todos esses “probleminhas”. No local você terá mais de 60 tipos de cachaça, todas envelhecidas há pelo menos 12 meses e de diversas variedades, dentre elas de Mexerica, Uva Itália, Canela, Kiwi, Cambuci e a Gabriela que é adocicada e de um sabor inigualável. Mesmo apertado há cervejas de várias marcas e tamanhos, não faltando refrigerantes e até água mineral. É você pode achar que estou brincando, mas o Sandro tem água mineral para os clientes.

A cozinha não impressiona pela variedade, mas sim pela qualidade; Meio Frango Assado, Sobrecoxa desossada e recheada, Costela de Boi e de Porco e Panceta recheada, além dos tradicionais petiscos, daqueles “enche barriga” e até um quindim feito por encomenda. Costumeiramente este mix de carnes é feito para comer como petisco, acompanhado de cerveja, mas se você quiser um arroz branco e feito na hora, é bom avisar com antecedência, assim como outro tipo de carne, quando é preciso negociar e agendar com o Sandro também com antecedência.

O principal argumento para o sucesso do Bar do Sandro não é a comida, o local ou a bebida, mas sim os frequentadores. Forjado na mais pura amizade e composto por velhos amigos, este boteco é na verdade, uma confraria de malucos, doidos e desvairados, todos ligados pela amizade e por sentirem-se tranquilos por estar num local onde a harmonia, a alegria e a felicidade reinam absolutos.

Neste boteco não se mexe com mulher, nem que esteja desacompanhada e seja estranha ao meio. Os amigos levam esposas, filhos e amigos para conhecerem este hospício de bebedores e comedores e desfrutar bons momentos. Os frequentadores são variados; Policiais, Jornalistas, Radialistas, Advogados, Empresários, Aposentados, Funcionários Públicos, Trabalhadores em Geral e Especializados, gente humilde e da elite. Nesse boteco não fala de política, apenas dos amigos e mal deles, além de algumas piadas. Enfim, amigos de longa data e todo aquele que se resignar a cumprir as regras deste estupendo antro de doidos.

Para finalizar o único porém deste boteco, é o dono do Muquifo de respeito, o próprio Sandro Veloso, um amável atendente mal educado, que não poupa um palavrão, mas não deixa o frequentador entrar e sair sem um forte e caloroso abraço.

Bar do Sandro Veloso, esse eu recomendo!!!

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